Parque Farroupilha - A Redenção
Redenção - A minha última morada
Desde pequeno que freqüento o parque da Redenção.
Lembro quando meus pais me levavam para passear no parque, andar de barco e, principalmente, quando íamos ao parque de diversões, montar nos cavalinhos do carrossel.
Isso só acontecia em ocasiões especiais, como a festa do Divino, que ocorria anualmente na Capela em frente ao parque.
Depois cresci um pouco e continuei freqüentando a Redenção.
Então já não levado pelos pais, mas com os meus amigos de infância. Lembro bem dos passeios de barco, naquele tempo ainda movidos a remos.
E as bicicletas! Os meus amigos tinham bicicleta e eu não tinha. Então íamos para a Redenção, eu alugava uma bicicleta e pelo menos durante aquela uma hora todos éramos iguais e podíamos pedalar juntos.
Depois cresci mais um pouco.
Tive vários momentos de namoro ou paqueras na Redenção.
Depois veio o casamento e vieram os filhos.
Aí comecei a levar os meus filhos a passear na Redenção.
Surgiu o Brique e passou a ser um passeio obrigatório dos domingos.
Depois vieram os netos.
E novamente a Redenção é o passeio mais lembrado.
E o brique no domingo é um encontro sempre prazeroso.
Finalmente veio este site.
Começou como uma experiência e uma forma de apreender a mexer com a Internet.
Depois se transformou em uma fonte inesgotável de satisfação e interesse.
E o apego a Redenção aumentou.
Vieram as reuniões no Conselho de Usuários.
Veio a discussão sobre a cercamento do parque.
Veio a cobertura do Campeonato de Rústicas.
E com tudo isto surgiram as amizades com os funcionários e freqüentadores do parque.
Agora eu sinto que a minha ligação com a Redenção é muito profunda e daí surgiu a idéia de torna-la definitiva.
Há muito tempo que venho pensando que preferiria, na ocasião do meu falecimento, ter os meus restos cremados.
Agora eu tenho a certeza de que esta é a minha preferência e o local onde deverão ser espalhadas as minhas cinzas já é óbvio: a Redenção.
Porém em minhas longas caminhadas decidi que não quero as minhas cinzas espalhadas em qualquer recanto, não.
Quero-as bem no coração do parque!
E o lugar que escolhi são as quatro floreiras situadas ao lado do Espelho D'água, as mais próximas da Fonte Luminosa.
Não tem como errar. Pra quem vem do Monumento ao Expedicionário, pelo lado direito, passa o chafariz da Fonte Luminosa e encontra as quatro floreiras, juntas, sempre bem coloridas e bem antes das suas parceiras do outro lado, devido as suas disposições assimétricas.
É bem aí, nestas quatro floreiras que eu gostaria que as minhas cinzas fossem espalhadas.
Assim, quando os meus filhos e netos e talvez bisnetos passearem pela Redenção, irão lembrar de mim, irão lembrar de como eu apreciava estes passeios, e estarão me recordando em momentos e locais alegres e não em meio a tristeza e solidão de túmulos.
E até mesmo o dia de Finados poderá ser o dia de um belo passeio.
Ah, e tem a vantagem que não precisa (e nem pode) levar flores. O lugar do meu descanso já é bastante florido.
Para não deixar dúvidas quanto ao local onde espero repousar futuramente, coloquei estas fotos.
E já que estou revelando minhas últimas vontades, aproveito aqui para deixar bem claro, publicamente, que sou doador integral de órgãos e tecidos, inclusive de olhos e tudo o mais que possa ser aproveitado.
Para a floreira da Redenção reservo apenas o que for totalmente inservível.
07 de janeiro de 2004.
Luiz de Paula Timotheo.
timotheo@via-rs.net
PS.: A minha esposa, Ecilda, pediu para registrar que ela também gostaria de ter o mesmo destino, ou seja, as quatro floreiras da Redenção, bem como também é doadora integral de órgão e tecidos.
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