Medo inibe uso de redes sem fio
São sete os locais públicos em Porto Alegre com acesso sem fio à internet. Raro é encontrar alguém portando um notebook, especialmente nas áreas verdes.
Na manhã de ontem, Zero Hora esteve em cinco desses lugares onde há o serviço gratuito: no Parcão, no Moinhos de Vento, na Praça Esplanada da Restinga e na Redenção (onde há três pontos de acesso). Em todos os locais, pessoas demonstraram preocupação com a segurança do repórter que portava o notebook. Em nenhuma das áreas verdes foi visto alguém com um computador portátil.
Mais comum é o uso de celulares para acessar à internet. Menores, os telefones móveis não chamam tanto a atenção em locais públicos.
André Imar Kulczynski, diretor-presidente da Procempa, empresa pública que faz o processamento de dados da prefeitura, disse que o uso do equipamento em lugares públicos é escasso. Recorda que quando o sistema foi implantado na cidade, em 2006, a aposta era no desenvolvimento de equipamentos que pudessem ser usados em público, sem chamar a atenção.
– Ao poder público cabe colocar o serviço à disposição da população. E foi o que fizemos – afirma.
Não há um controle na Procempa do número de acessos por tipo de equipamento. Mas são feitas verificações diárias para saber se estão com problemas técnicos. Pelas avaliações, o ponto com maior número de usuários tem sido o do Mercado Público.
O medo de ser vítima de roubo ou furto nas praças da cidade é uma questão cultural do gaúcho, acredita o inspetor Gilberto Souza, chefe de investigação da 10ª Delegacia de Polícia Civil, responsável pela segurança da Redenção e do Parcão. Ele diz que há muito tempo não registra esse tipo de ocorrência nesses locais.
carlos.wagner@zerohora.com.br
CARLOS WAGNER
Alerta no Parque Farroupilha
Entre os frequentadores do Parque Farroupilha, conhecido também como Redenção, é possível encontrar pessoas ostentando joias. Mas é raro ver alguém operando um notebook em um dos três pontos de acesso à internet sem fio.
Na manhã de ontem, Zero Hora esteve nos três locais – Monumento ao Expedicionário, Espelho D’Água e proximidades do Café do Lago – e durante 45 minutos usou um notebook. As pessoas que faziam a sua corrida matinal na Redenção não deixavam de olhar a cena, curiosas. Um jovem de 22 anos aproximou-se e alertou:
– Talvez o senhor não saiba, mas usar laptop aqui é perigoso.
Espanto na Restinga
Uma pessoa sentada com um notebook na Praça Esplanada da Restinga chamou mais a atenção dos moradores do que uma batida policial realizada a poucos metros do local.
Passear com os computadores na rua significa atrair olhares. Na manhã de ontem, durante 30 minutos, ZH causou espanto a moradores ao usar um notebook na Esplanada.
O comerciante Luiz Weber, 69 anos, há mais de 30 morando no bairro, comentou:
– Já vi coisa na Restinga que até Deus duvida. Mas nunca vi ninguém sentar na Esplanada e abrir um computador.
Raro até em bairro nobre
Mesmo no Parcão, no bairro Moinhos de Vento, um dos mais nobres da Capital, uma pessoa com um notebook é algo incomum. Na manhã de ontem, o equipamento de ZH não passou despercebido.
O publicitário Bayard Fos, 33 anos, que acessava a internet pelo seu telefone, observou:
– Ao me aproximar, eu imaginei que o senhor pensaria que eu ia roubar seu laptop. É raro ver alguém por aqui com notebook.