PARQUE DA REDENÇÃO - O que há atrás dos tapumes?
Demora na obra de restauração da fonte luminosa da Redenção intriga usuários do parque

Matéria e foto publicadas na Zero Hora de 16 de janeiro de 2009, Caderno Bom Fim, Página 1.

zh-090116-2.jpg “Moro na Jerônimo de Ornelas. Todos os dias vou ao Centro e cruzo pela Redenção. Me choca o silêncio dentro daqueles tapumes em volta do chafariz! Nunca vejo gente trabalhando ali, e já estão desde setembro. Pensei que seria coisa de 30 dias. Mas, nesse ritmo, vai longe! É um desrespeito com a população. Justamente nas estações mais lindas, primavera e verão, inventam essa obra. Fica muito feio aqueles tapumes em um dos parques mais bonitos do Brasil e em um ponto onde os usuários adoram ficar.”
Morador da região
Depois da reconstituição que alterou a original Fonte Talavera, no Paço Municipal, outro chafariz está nas rodas de discussão dos porto-alegrenses. Desde setembro escondida atrás de tapumes, a fonte luminosa da Redenção passa por restauro que só deve terminar em março.
Essa é a intenção da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), que inicialmente estimou um prazo de 60 dias para a obra. A demora é motivo de indignação para os usuários do parque, como o leitor que prefere não se identificar e sugeriu a reportagem ao ZH Bom Fim. Fazem coro à sua reclamação frequentadores como o agropecuário Paulo Fernando Motta e a técnica em enfermagem Liliana Leães. Na manhã de 13 de janeiro, sentados em frente aos tapumes, os dois desabafaram seu descontentamento.
– O maior incômodo é desfigurar a o parque. Para que esses tapumes? E por que tanto tempo para restaurar? Vou falar com a prefeitura sobre isso e outros problemas, como falta de iluminação e segurança – relata Motta.
Liliana incrementa a lista de queixas sobre a Redenção:
– Há um descaso com o parque. Não se vê mais pessoas limpando, as flores estão morrendo, um horror!

Luzes para o Baile da Cidade

zh-090116-3.jpg A demora que tanto incomoda os usuários é justificada pela arquiteta da Smam Ana Germani. Segundo ela, quando se trata de restauro, e não reforma, é preciso seguir determinadas normas universais.
– É demorado mesmo. Tem de ser feito um levantamento de como está o objeto a ser restaurado e de como era antes, para não ficar diferente – explica, acrescentando que tudo foi feito depois de colocados os tapumes, para evitar vandalismo.
De acordo com a assessoria de imprensa da Smam, o mecanismo da fonte está há cerca de três anos sem funcionar. O supervisor de Praças, Parques e Jardins da Smam, Luiz Alberto Carvalho Junior, esclarece que uma infiltração foi outro motivo do atraso. Ele acredita que, desta vez, o prazo será cumprido para que se presenteie a cidade com um jogo de luzes durante o Baile da Cidade.
– Os trabalhos já estão em um nível avançado, o que nos dá tranquilidade para estimar a conclusão para março – afirma.
Sobre a reclamação do leitor que afirma não ver homens trabalhando na obra, Carvalho Junior diz que “sempre há funcionários no local, às vezes, se não estão na parte externa, estão na casa de máquinas”.
Enquanto o isolamento impede a visão do chafariz, usuários dão o seu jeitinho para não abandonar o parque. Como a companhia teatral Oigalê, que, durante o verão, apresenta peças gratuitas na Redenção.
– Está horrível, mas a gente não vai deixar de se apresentar no parque, que sempre foi nosso local de trabalho – diz Giancarlo Carlomagno, ator, produtor e um dos fundadores da trupe, que pode ser encontrada às segundas-feiras, às 18h, agora um pouco afastada da fonte, em um dos gramados do passeio central.
marcela.donini@zerohora.com.br
MARCELA DONINI



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