Alegria em uma só festa
Principais organizadores da Parada Livre voltam a celebrar a diversidade no mesmo evento depois de três anos

Matéria e fotos publicadas na Zero Hora de 17 de novembro de 2008, Página 30.

zh-081117.jpg A sexualidade não precisou ser disfarçada na tarde de ontem, na Capital. Gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e simpatizantes festejaram a 12ª Parada Livre da diversidade sexual na Redenção. Após três anos sendo celebrado em dois dias diferentes por divergências sobre a organização, o evento voltou a reunir todos os apoiadores da causa.
Pais, mães, crianças, idosos, casais, representantes de ONGs, Madonnas, Carmens Mirandas, Rosanas e até versões de Xuxa e Chapeuzinho Vermelho apareceram para celebrar a liberdade do amor. Ao longo do desfile com bandeiraço, dança, performances, música e muita cor e brilho nos carros de som – que passou pelas avenidas Setembrina, Osvaldo Aranha, José Bonifácio, João Pessoa e retornou à Redenção no começo da noite –, a Parada Livre não teve idade nem sexo. A única diferenciação entre homens e mulheres estava pregada na porta dos banheiros químicos. E só lá.
– Aqui a gente pode ser o que quiser – definiu a manicure Jussandra Souza, 40 anos, abraçada à mulher, a motorista Rejane Serdeira, 39 anos.
Na marcha pela liberdade sexual – que desde 2005 ocorria em duas datas no mês por causa de desavenças internas entre os três principais grupos organizadores, Nuances, Somos e Igualdade – chamava a atenção a quantidade de famílias com filhos.
– Viemos para dar apoio à liberdade, ao direito ao respeito, ao amor – declarou o segurança Lúcio Mauro Souza Demaceno, 34 anos, que foi com a mulher, Carla Helena Spezia.
Responsável pela segurança de um salão de beleza onde trabalham gays, ele também levou os filhos para se conscientizarem desde cedo do que ele considera o mais importante ensinamento que um pai pode dar.
– Sentimento é sentimento, e não tem sexo. Quero que meus filhos cresçam sabendo e respeitando isso – disse a recepcionista Carla Helena.
Pertencentes a uma geração em que a liberdade de expressão era muito mais policiada do que nos dias de hoje, idosos também engrossavam a platéia.
– Amor é amor, e ponto final. Deixem que as pessoas sejam simplesmente felizes – diz a aposentada Jurema Barros, 72 anos.



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