Acessibilidade - Degraus que excluem na Redenção
Apesar de ter áreas de fácil movimentação, algumas escadarias atrapalham cadeirantes

Matéria e foto publicadas na Zero Hora de 24 de outubro de 2008, Página 1 do Caderno Bom Fim e na Zero Hora de 25 de outubro de 2008, Página 48.

zh-081024.jpg Para testar como é o passeio dos cadeirantes na Redenção, o ZH Bom Fim convidou Olívia Machado, 44 anos, para passar uma manhã no parque em setembro. Acompanhada pela amiga Joanete Zanandrea, com a qual atua na Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes do Rio Grande do Sul, ela percorreu os recantos de um dos maiores parques da cidade.
Em geral, não teve problemas, mas esbarrou em degraus que a impediram de freqüentar certos recantos, como o da Fonte Francesa, e de entrar sozinha no banheiro, que é adaptado em seu interior, mas não tem rampa na entrada. Confira o relato de Olívia e os obstáculos que encontrou:
- Texto enviado pela leitora Olívia Machado, 44 anos
“A Redenção para mim é um dos lugares de Porto Alegre que acho mais bonitos. Apesar disso, ainda tem algumas barreiras para nós, portadores de deficiência.
Eu tive pólio na infância, que atingiu meu lado esquerdo (perna e braço). Por causa disso, me locomovo com cadeira de rodas. Minha dificuldade é ainda maior quando não encontro rampas de acesso.
Na Redenção, tem alguns degraus que me impossibilitam de ir sozinha, preciso ser acompanhada de uma pessoa para me ajudar nessas horas. Com a cadeira motorizada é mais fácil, mas, mesmo assim, preciso de ajuda para empinar a cadeira quando há algum degrau no caminho. Se tudo estivesse adaptado, os cadeirantes como eu teriam mais liberdade e independência.
O banheiros públicos, por exemplo. De nada adianta serem adaptados, se, quando precisamos deles, nos deparamos com degraus no meio do caminho. O que mais me deixa indignada é que a liberdade de ir e vir tem de ser garantida por meio de leis que, mesmo assim, não são cumpridas. Afinal, somos seres humanos antes de sermos deficientes físicos.”
O que Olívia encontrou
A – Banheiro

O banheiro do Parque Farroupilha está adaptado, internamente, para receber cadeirantes. O problema está do lado de fora. Para ter acesso, o cadeirante precisa de ajuda para passar por um degrau, situado logo no começo da rampa.
zh-081024-3.jpg B – Fonte Francesa
Olívia não conseguiu chegar até o centro do chafariz por causa das minipontes que passam por cima do curso d´água, feitas em blocos que travam as rodas da cadeira. O ideal seriam pontes planas.
C – Recanto Europeu
O recanto é composto por algumas peças históricas, nem todas são acessíveis aos cadeirantes. Olívia não pôde subir em uma delas por causa de alguns degraus. Não há rampas. Mas a maior parte do recanto é plana, de fácil mobilidade.
D – Recanto da Ilha
Uma escadaria com oito degraus impede que os cadeirantes tenham acesso ao mirante. Não há rampas por perto nem qualquer outra alternativa para se chegar ao local.
E – Cafeteria
Olívia não parou para tomar um café, mas poderia fazer isso tranqüilamente. A cafeteria tem uma área externa acessível aos cadeirantes.
F – Estacionamento
Segundo a EPTC, há duas vagas para deficientes reservadas no Largo Prof.Francisco de Paula Brochado da Rocha, mas ZH verificou que não há indicação dos locais. Outra alternativa é a Área Azul do Largo Dr. José Faibes Lubianca (G). Para serem isentos, os cadeirantes devem ter cadastro na Seacis. Informações: 3289-1141. O limite de duas horas deve ser respeitado.
Trilhas e caminhos
Transitar pelo parque não foi problema. Há trechos calçados, e as trilhas costumam ser bem planas. Em alguns pontos, há buracos ou declives que dificultam o passeio. Contrapontos
O que diz o secretário de Acessibilidade e Inclusão Social (Seacis), Tarcízio Cardoso

Gradativamente, encaminhamos projetos para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente para melhorar as condições de acessibilidade de áreas públicas. A vez do Parque Farroupilha ainda não chegou, mas está na lista para receber benefícios.
O que diz o supervisor de praças, parques e arborização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam), Luiz Alberto Carvalho Junior
Mudanças para melhorar a acessibilidade em áreas públicas são sempre contempladas em novos projetos. Neste ano, o parque passa pela reforma do Chafariz de Ferro, mas, em 2009, outras melhorias serão feitas. Sempre que uma estrutura for alterada, a questão da acessibilidade será contemplada. Sobre o acesso ao banheiro, uma análise deverá ser feita no local para verificar o problema.



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