Símbolos farroupilhas em ruínas
Parte da memória da Revolução Farroupilha está em processo de deterioração. A cada ano, a ação do tempo e de vândalos apagam símbolos e destroem obras que reverenciam personagens do período mais conturbado da história gaúcha.
Na quarta-feira, Zero Hora, em meio a Semana Farroupilha, percorreu Porto Alegre para verificar o estado de conservação de obras que evocam a Revolução Farroupilha. As cinco obras relacionadas por sua importância histórica têm problema de conservação.
Duas estão em situação crítica: a Coluna Israelita, na Avenida Osvaldo Aranha, e a estátua do Gaúcho Oriental, no parque da Redenção.
Ao visitar cinco monumentos no Interior, ZH constatou uma situação menos crítica, mas ainda preocupante. Dois monumentos – em Pelotas e Taquari – apresentavam péssimo estado.
Para avaliar o estado de conservação do monumentos, o Teste ZH criou quatro categorias: ótimo, bom, razoável e péssimo.
ESTÁTUA EQÜESTRE A BENTO GONÇALVES
O que é: obra construída em 1935 pelo escultor Antonio Caringi em homenagem ao líder da Revolução Farroupilha. Está instalada desde 1941 na Praça Piratini, na Capital.
Estado de conservação: apesar das limpezas realizadas nos últimos anos, o pedestal apresenta manchas deixadas por pichações antigas. Foram furtadas letras do nome de Bento Gonçalves, em uma das laterais, e na frase “Compatriotas! O nome da Pátria nunca soou em vão aos meus ouvidos!”.
GAÚCHO ORIENTAL
O que é: instalada no parque da Redenção, a escultura fundida em bronze em tamanho real foi presente da comunidade uruguaia em 1935.
Estado de conservação: uma das mãos, as esporas e a ponta da faca foram furtadas. A estátua está suja, sem placa de identificação e com a base pichada.

BUSTO DE DUQUE DE CAXIAS
O que é: localizado atrás do Monumento ao Expedicionário, na Redenção, homenageia o patrono do Exército. Foi inaugurado em 1971. Ele foi o comandante das tropas que lutaram contra os farroupilhas e um dos articuladores do acordo de paz.
Estado de conservação: está em bom estado de conservação, mas não tem placa de identificação. A base do busto está suja, e parte do cobre riscado com pincel atômico.
COLUNA ISRAELITA
O que é: localizada na Avenida Osvaldo Aranha, ao lado do Instituto de Educação Flores da Cunha, a coluna é uma homenagem da comunidade judaica ao centenário da Revolução Farroupilha.
Estado de conservação: está em péssimo estado. As pichações ocupam os quatro lados da coluna e todas as peças de cobre foram furtadas, inclusive a efígie do General Netto. Só restou intacto, devido à altura de cerca de cinco metros, a inscrição 1835-1935. Não há placa de identificação, e o lixo predomina ao redor da obra.

OBELISCO DA SEPÚLVEDA
O que é: doado pela comunidade portuguesa em 1935, o obelisco do escultor italiano Luis Sanguin homenageia o centenário da Revolução.
Estado de conservação: é a obra em melhor estado de conservação entre as analisadas na Capital. Em maio de 2006, passou por um restauração por parte de duas empresas privadas, que removeram pichações e aplicaram uma película protetora contra ataques a tinta.
O QUE DIZ A SECRETARIA MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE
Responsável pelos monumentos da Capital, a Smam reconhece que 80% das obras sofreram danos causados por vandalismo. O supervisor de Praças e Parques, Luiz Alberto Carvalho Junior, informa que a maioria das obras citadas passou por processos de recuperação nos últimos anos, mas as intervenções não evitam novos ataques. A Smam não dispõe de rubrica no orçamento para recuperar monumentos e, por isso, as iniciativas necessitam de apoio de empresas privadas. Na Câmara de Vereadores, está para ser votado um projeto que prevê a adoção dos monumentos.