Os parques de Pequim

Crônica de Paulo Santana publicada na Zero Hora de 22 de agosto de 2008, Página 59.

O companheiro Tulio Milman, um dos enviados especiais da RBS à Olimpíada, fez uma interessante reportagem para o Jornal do Almoço: visitou os parques de Pequim.
São parques alegres e cheios de movimentação, as pessoas praticam esportes, cantam, dançam, se divertem em inúmeros jogos, lugares atraentes, apinhados de gente.
Foi aí que o Tulio Milman se lembrou de mim, quando viu que os excelentes parques de Pequim são todos cercados. E os freqüentadores pagam ingresso.
Não sou de acordo em que se pague ingresso nos parques de Porto Alegre, mas vou morrer lutando para que cerquem nossos parques.

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Na China, podem olhar nas milhares de imagens de televisão que nos mandam de lá, não há mendigos. A maioria esmagadora da população chinesa é pobre, mas não há miseráveis. É uma pobreza decente, com habitação, com educação e com saúde. Uma classe média baixa daqui.
Não há assaltos na China, mandaram nos dizer nossos colegas que estão lá. A criminalidade é escassa e contida.
E, acima de tudo, não há vândalos na China. A lei penal lá é muito severa, quem assaltar ou praticar qualquer furto está com a vida desgraçada, quem depredar ou por qualquer forma danificar equipamentos de parques será preso e passará meses atrás das grades.

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Pois ainda assim os parques são cercados, como o são em incontáveis cidades européias e pelo mundo todo.
Porque sabem as autoridades chinesas que os parques são depredados, mutilados, destruídos à noite. É à noite que os vândalos demolem os parques, os monumentos, a vegetação e os outros todos equipamentos dos parques.
Foi então que sugeri certa vez que cercassem os parques porto-alegrenses para fechá-los em seus portões durante à noite e abri-los oferecidos ao público e intactos durante o dia.
Mas até hoje Porto Alegre prefere ver seus parques depredados e sendo gastas fortunas para mantê-los precários.
Minha cidade tristemente não atendeu ao meu apelo.

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Como acontece com todos os leitores que viajam ao estrangeiro e têm sua atenção chamada para os parques cercados, depois me enviam mensagens relatando este fato, o Tulio Milman viu os parques pequineses cercados e se lembrou de mim.
E ainda me fez uma homenagem honrosa: pegou vários freqüentadores de um parque de Pequim e ensinou-os a pronunciar meu nome.
Foi delicioso ouvir no Jornal do Almoço o coro de chineses: “Pôlo Santana, Pôlo Santana, Pôlo Santana!”.

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Falar em cerca, me disseram que foi decidido o cercamento do prédio do Instituto de Educação General Flores da Cunha, situado dentro do Parque Farroupilha.
Foram dezenas de anos com o colégio sendo depredado, oferecido ao vandalismo. Agora será cercado e se tornará mais seguro e se poderá investir em melhoramentos com sucesso.
Já há inúmeras igrejas cercadas no Rio Grande do Sul. Porque, se é invencível a horda de vândalos que sai à noite para destruir, forçoso que se construam cidadelas de proteção para animar os que querem viver em paz e em desenvolvimento e manutenção de seus prédios, de seus jardins, de suas instalações.
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