Cerca em parques separa candidatos

Matéria e fotos publicadas na Zero Hora de 13 de julho de 2008, Página 6.

zh-080713-1.jpg Eleições 2008 - Série mostra o que os candidatos a prefeito pensam sobre temas atuais
O cercamento de parques da Capital é o primeiro tema abordado na série "Vida Real", que Zero Hora publica a partir de hoje a fim de apresentar as posições dos candidatos a prefeito sobre temas polêmicos do cotidiano porto-alegrense:
Entre tantas dúvidas que aguardam a próxima legislatura na Câmara de Porto Alegre, há uma certeza: o retorno da polêmica sobre o cercamento dos parques da Capital.
Para os defensores de parques abertos, o acesso livre é sinônimo de cidadania e respeito aos espaços públicos. Para os militantes do cercamento, a mudança traria segurança e preservação dos patrimônio. O debate embaralha matizes ideológicos.
Com a tranqüilidade de quem seguirá à distância o pleito, o deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB) aponta vantagens da proteção.
- A Redenção é um caso típico de um espaço público que, quando anoitece, não pertence mais à cidade. Ele se transfere para a vadiagem, para o crime - afirma Ibsen.
É do hoje deputado o último projeto votado, e rejeitado, sobre o cercamento de parques na Capital. Em 2005, Ibsen, então vereador, propôs que o tema fosse submetido a um plebiscito. Se a população se manifestasse favoravelmente, daria poderes ao Executivo para definir quando e como parques com mais de cinco hectares seriam cercados. Se o resultado fosse negativo, o assunto seria sepultado. A legislação em vigor já prevê a realização de plebiscito. Os vereadores, porém, rejeitaram a idéia.
- Não entendi por que o projeto não foi aprovado - lamenta Ibsen.
Se a dicotomia esquerda e direita fosse mecanicamente transposta para o debate, o discurso do cineasta, professor universitário e um dos fundadores da banda Replicantes, Carlos Gerbase, estaria à direita do coronel Paulo Roberto Mendes, comandante-geral da Brigada Militar. Em artigo publicado em ZH, em 2005, Gerbase defendeu: "(...) tolerância sempre é bom, mas tolerância demais é o caminho mais rápido para transformar um parque, que é o reduto da natureza, numa passarela para as piores mercadorias da civilização (...)".Consultado por ZH, Mendes sustentou:
- Os parques são espaços públicos e democráticos. O fechamento não vai resolver o problema da segurança. As casas são fechadas e acabam sendo invadidas.
Em São Paulo, Rio e Belo Horizonte o cercamento de parques é uma realidade. Lá, a maioria é fechada e tem horário para funcionamento.

O senhor é a favor ou contra o cercamento de parques?
José Fogaça (PMDB)
zh-080713-2.jpg "É uma questão de consulta às comunidades do entorno. No Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, não há problema em cercar por haver consenso. Já a comunidade do Parque da Redenção é majoritariamente contrária. Não pode haver um critério único para todos os parques. A Secretaria do Meio Ambiente está consultando as comunidades."
Nelson Marchezan Jr. (PSDB)
zh-080713-6.jpg "Não podemos ser absolutamente contra e nem a favor. Porto Alegre pode decidir em cada bairro. Em determinado parque pode ser viável e recomendável que se faça o cercamento e para outros pode ser tanto inviável quanto não recomendável. Não precisamos decidir no oito ou 80. Tudo pode ser conversado com a comunidade."
Luciana Genro (PSOL)
zh-080713-3.jpg "Farei um plebiscito na cidade para decidir. Farei um programa de segurança que envolverá medidas de todas as secretarias. Haverá vigilância de parques, vilas e ruas. Faremos novo concurso para a Guarda Municipal e vamos treiná-la para não só proteger patrimônio, mas também cuidar das pessoas. Criaremos mais vagas e faremos novos albergues."
Onyx Lorenzoni (DEM)
zh-080713-7.jpg "Farei um plebiscito na cidade. O prefeito executará o que a população decidir. Os principais parques são cercados em países do Primeiro Mundo. Não vejo problema em fechar. Aumentarei o número de guardas municipais de 500 para 1,5 mil, um aumento de 250 homens por semestre. Será possível patrulhar e colocar iluminação nos parques."
Manuela Dávila (PC do B)
zh-080713-4.jpg "Não sou a favor ou contra. Vou cumprir a lei municipal que prevê plebiscito. Independentemente do resultado, pretendo devolver os parques às pessoas e retirar o narcotráfico. Cercar o parque não é a garantia de que o espaço seja seguro. Temos de iluminar nossas praças e parques e revitalizá-los, ocupando-os com atividades culturais."
Paulo Rogowski (PHS)
zh-080713-8.jpg "Sou muito a favor. Há muitos assaltantes no Parque da Redenção. Hoje, é cômodo não fechar porque os mendigos ficam lá e o problema não aparece. Se trancar os parques, a gente dá segurança para quem transita nos arredores. Sou contra aumentar o efetivo de polícia na rua. Temos de aumentar a assistência a mendigos."
Maria do Rosário (PT)
zh-080713-5.jpg "Não é minha prioridade cercar parques. Pretendo colocar iluminação, Guarda Municipal e estimular a presença de pessoas. Cobrarei o efetivo da Brigada Militar. Utilizarei câmeras. Farei uma central de monitoramento com todos os serviços de urgência e emergência centralizados. Recursos podem ser garantidos pelo governo federal."
Vera Guasso (PSTU)
zh-080713-9.jpg "Sou contra. Os parques devem ter acesso livre pela beleza e utilização pelo público. Cercar é uma forma de estragar os parques e impossibilitar o acesso em qualquer horário. É antidemocrático. Se saem do parque, os moradores de rua encontrarão outro espaço. Faremos prevenção em escolas para reduzir a criminalidade e desestimular as drogas."



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