Parque Farroupilha (Redenção)

A nonna das pipocas

Matéria e foto publicadas na Zero Hora de 29 de setembro de 2006, Caderno Bom Fim.

zh-060929-2.jpg ALZIR MARIA D'AGOSTINI/ Pipoqueira no Bom Fim e voluntária
Há 30 anos, Alzir Maria D'Agostini, 70 anos, mantém sua carrocinha de pipocas aos sábados e domingos, na Avenida José Bonifácio, próximo ao Monumento ao Expedicionário. Mais conhecida por Nonna das Pipocas, a carismática aposentada vende a guloseima para arrecadar dinheiro para seus trabalhos sociais.
No dia 29 de setembro, o Rotary Club Bom Fim a homenageará como Profissional do Bairro. Para ela, o segredo da pipoca é simples:
- É feita com muito amor.
Natural de Sertão, no norte do Estado, a Nonna chegou em Porto Alegre e foi acolhida pela ordem religiosa que administrava o Hospital Lazarotto. Após fazer um curso de Enfermagem, passou a trabalhar na instituição até sua aposentadoria, em 1981. É mãe de duas filhas: Gracie Maria, 33 anos, enfermeira, e Fátima, 49, formada em Direito.
De segunda a sexta-feira, a moradora da Lomba do Pinheiro Alzir se divide em diferentes locais para realizar seu trabalho voluntário. Participa do Grupo de Costura da Casa de Convivência Santa Clara, onde, com doações, mulheres confeccionam roupas e outras peças. A venda objetiva angariar fundos para aquisição de alimentos para famílias de baixa renda. Nas segundas-feiras, ajuda no Posto de Saúde Modelo. Além disso, atua em três pastorais.
- Mas o que me dá vida é a Pastoral dos Sinos - confessa.
Já aposentada, ficou quase cega, mas em 2000 fez uma cirurgia e hoje diz enxergar "cada dia mais". A partir daí, passou a divulgar a Pastoral dos Sinos da Paróquia Santo Antônio do Partenon, em sinal de agradecimento pela graça alcançada. Apesar das dificuldades, Alzir não cogita parar com a venda das pipocas.
- Estou com 70 anos, mas ainda consigo carregar o meu carrinho. O que eu iria fazer aos sábados e domingos? Eu preciso ver minhas crianças! - garante.


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