Projeto de revitalização não engrena
Ao contrário do que garantiu a Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), setembro começou e os três bares nos fundos do Mercado do Bom Fim continuam abertos. A remoção dos locatários seria o pontapé inicial para o projeto de revitalização do local, promessa que completa um ano e ainda não dá sinais de sair do papel.
Em julho, ZH Bom Fim noticiou um ultimato da prefeitura aos permissionários: se não apresentassem uma nova proposta para quitar suas dívidas, que somam R$ 180 mil, seriam despejados até o final de agosto. Nenhum avanço ocorreu. E os locatários garantem que não sabiam de nada.
- Não fomos notificados sobre fazer uma nova proposta. Continuo pagando a dívida em 50 prestações - diz o responsável pela loja 6, Antenor Guerra, que já quitou 15 parcelas.
A confusão ganha força nas declarações da Smic.
- Eles sabem muito bem das condições. Nós não precisamos cobrar o tempo inteiro, pois a responsabilidade é deles - replica o titular do órgão, Idenir Cecchim.
Fatores burocráticos são a justificativa de Cecchim para ainda não ter removido os comerciantes. Segundo ele, a secretaria está analisando os contratos, e a situação deve ser resolvida nas próximas semanas.
Enquanto isso, os locatários convivem com um baixo movimento e aguardam uma definição. O projeto de revitalização, que pretende acabar com o acesso às lojas dos fundos pelas laterais, os removeria para a parte da frente. A possibilidade é bem aceita pelos comerciantes, mas começa a ganhar resistência da secretaria. Conforme Cecchim, a possibilidade de eles serem deslocados é pequena, devido à dificuldade em quitar as dívidas.
O valor de R$ 180 mil, segundo os comerciantes, deve-se à alta dos aluguéis entre 2000 e 2003, quando o Mercado do Bom Fim foi reaberto, após quatro anos desativado. Pedro Luiz Cardoso, locatário da loja 5, afirma ter investido alto no estabelecimento, que tinha locação fixada em R$ 1.890 mensais na época - hoje, o aluguel é de R$ 780.