Parque Farroupilha (Redenção)

Droga fácil no centro do parque
Usuários adquirem maconha a 500 metros de posto policial

Matéria e foto publicadas na Zero Hora de 06 de julho de 2006, Página 45.

zh-060706-1.jpg EDUARDO RODRIGUES/ Agência RBS
O movimento de compra, venda e consumo de drogas no Parque da Redenção, na Capital, é semelhante ao de pessoas que aproveitam o sol para caminhar.
O vaivém de traficantes e usuários não diminui nem com a presença de um posto fixo da Brigada Militar. A cerca de 500 metros do prédio ocupado pelo 9º BPM, no entorno do auditório Araújo Vianna, traficantes negociam cigarros de maconha à luz do dia, embaixo das árvores ou sentados nos bancos de concreto. Bem organizados, chegam a dividir o parque entre si.
Aparentando passear pelo parque, olheiros controlam a chegada da Brigada ou de veículos que possam ser viaturas discretas da polícia. A maconha é escondida em troncos de árvores ou sob bancos. Nas tardes de terça e quarta-feira, a Agência RBS flagrou o comércio ilegal.
- Como o tráfico é de pequena quantidade, a Justiça libera o cara para responder o inquérito em liberdade. Só que ele volta a cometer o delito - diz o titular da 2ª Delegacia do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico, o delegado Joerberth Pinto Nunes.
O comandante do 9ºBPM, tenente-coronel Jones Calixtro Barreto dos Santos, diz que várias ações de prevenção e prisões foram feitas com o uso de viaturas discretas no parque no último mês. Só em um fim de semana, pelo menos 70 pessoas teriam sido presas por posse de entorpecentes na área do parque.
Segundo o juiz criminal do Foro Regional Sarandi, em Porto Alegre, Felipe Keunecke de Oliveira, em muitos casos as circunstâncias da prisão e a quantidade de droga apreendida pela Polícia não qualificam o crime de tráfico de drogas, somente posse de entorpecentes. A superlotação das casas prisionais no Estado também pesa na hora do magistrado tomar uma decisão:
- Às vezes não se recolhe provas suficientes para materializar o crime e isto influencia na concessão de liberdade provisória ao suspeito.
( eduardo.rodrigues@diariogaucho.com.br )


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