Parque Farroupilha (Redenção)

Sitcom em porto-alegrês
Seriado "PoaRS" mostra o cotidiano de jovens da Capital temperado com rock e improviso

Matéria e foto publicados na Zero Hora de 28 de maio de 2006, Página 3 do Caderno TV + show.

zh-060528.jpg GABRIEL BRUST
Eles são um grupo de amigos de vinte e poucos anos, como em Friends. Versam com facilidade sobre o cotidiano, como em Seinfeld. Cultuam o humor nonsense, como em Monty Python. Mas fazem tudo isso entre o Bom Fim e a Cidade Baixa, ouvindo Bidê ou Balde e usando a linguagem típica dos jovens de Porto Alegre.
A identificação do público com as conversas cheias de "tu" e "bá" dos personagens da série PoaRS pode ser a explicação para o sucesso desta que é a primeira empreitada da Ulbra TV (canal 48 UHF e 21 da NET) em teledramaturgia. Com pouco mais de duas semanas no ar e com o improviso típico de curtas universitários, a série acumula comunidades de fãs no Orkut e se tornou assunto obrigatório nas festas de rock de Porto Alegre. Isso porque os acordes de bandas gaúchas novas, como Cartolas, embalam os episódios diários de 15 minutos, que vão ao ar sempre às 22h15min, com reprise às 13h15min. King Jim, da banda Garotos da Rua, e Zé do Bêlo são alguns dos roqueiros que já fizeram uma ponta com o elenco fixo, composto por Luiza Pacheco (Julia), Manu Menezes (Laura), Bruno Bazzo (Beto) e Marcos Kligman (Sheila).
Pedro Maron interpreta ele mesmo e é um dos roteiristas da série, ao lado de Thiago Lázeri. Na trama, as meninas moram no Bom Fim, e os guris, na Cidade Baixa. O Parque da Redenção costuma se tornar o ponto de encontro da turma, que vive às voltas com conflitos envolvendo namoros e Internet.
- Falamos de uma forma que não soa forçado e é inspirado no nosso cotidiano - afirma Maron.
Foi no verão de 2006 que os amigos Maron e Lázeri resolveram fazer um programa de televisão. Em um dia, escreveram e gravaram, e no outro estavam batendo na porta do canal comunitário PoaTV (canal 6 da NET). O episódio único foi ao ar e despertou o interesse dos produtores da Ulbra TV, que elegeram o projeto para iniciar os trabalhos de seu Núcleo de Teledramaturgia.
Produzir episódios diários se tornou um desafio para a dupla, que até então não havia trabalhado profissionalmente com televisão. Apesar do suporte de uma equipe com cerca de 20 pessoas, as limitações impostas pelo amadorismo de parte do elenco e pelo orçamento de R$ 1 mil por episódio ficam explícitas. Mas o elemento tosco não deixa de ser um dos atrativos de PoaRS que, se não mata de rir, pelo menos não constrange.


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