Paisagem Inventada Helio barcellos Jr.
O artista plástico Rogério Pessôa, 34, bem que pensou em partir para a interação com o asfalto para criar mais uma de suas paisagens urbanas.
Mas a paixão pela água falou mais alto quando ele começou a buscar o lugar ideal para abrigar sua nova obra, A Passagem.
Instalada dentro do espelho d'água do Parque da Redenção (Farroupilha), sua intervenção é formada por 40 mil peças de cerâmica.
Agora a maior curtição dele é se sentar, entre uma aula de escultura que dá na Ufrgs e outros compromissos, num dos bancos do parque, para observar a reação do público.
A Passagem é a terceira paisagem ao ar livre que o escultor inventa.
Ele conta que a maior influência vem da própria infância, quando viveu em Rio Grande, bem perto do mar de Cassino.
"Minha musa inspiradora sempre foi a praia. Criava habitantes de uma natureza fantasiosa, uma flora imaginária", lembra.
"Todos nós já brincamos com seres imaginários vindos de nossa imaginação, eu ainda continuo vislumbrando os cenários de minhas aventuras", continua.
O primeiro protótipo foi criado ainda durante a faculdade de Artes Plásticas da Ufrgs, em 1999.
Os estudos foram ampliados e ganharam o mar de Torres.
Depois, o de Cassino.
Um Minuto de Praia era composta por 150 esculturas.
O mais legal, para Pessôa, era ver o mar subindo, passando por cima das peças.
Há dois anos veio Mangue, Suor e Lágrimas, uma natureza fantasiosa que participou da 3ª Bienal do Mercosul, literalmente dentro do rio-lago Guaíba.
Dos comentários, Pessôa já ouviu de tudo: um deles diz que as 200 esculturas que compõem A Passagem serviriam para despoluir o espelho d'água; o outro, para se comunicar com extraterrestres.
Das instalações marítimas, lembra que o comum era ouvir que se tratava de técnica para pegar mais marisco.
"O mais interessante é isso mesmo, que as pessoas deixem rolar sua percepção, que criem junto, que inventem as mais variadas situações, pois a idéia é de trazer fantasia", destaca.
A instalação, que recebeu financiamento do Funproarte, vai ficar por cerca de dois meses no Parque da Redenção.
Pessôa destaca que visibilidade e acessibilidade foram duas características marcantes para o desenvolvimento do projeto.
Além da cerâmica, ele usou hastes de ferro, com uma base de sustentação, cobinando também cabo de aço, arame, soldas e barro.
Do resultado, observa que é possível visualizar diferentes ângulos da obra, dependendo da posição do sol.
Outro ganho é a duplicação da verticalidade das peças, efeito conseguido através do reflexo das águas.
A Passagem ainda tem apoio de Cláudio Vogel, Fernandes Costa Eng., Comcept Cenografia e Usina Comunicação Visual