Exemplo de cercamento positivo
Está aí um fato ilustrativo da verdade: "Prezado Sant'Ana, desculpa que ficou muito longo o texto, mas aproveita o que quiseres.
Apóio totalmente teus argumentos a favor do cercamento do Parque Farroupilha. E escrevo pra te contar um caso a que assisti pessoalmente e que pode servir para a discussão atual: o cercamento do Campus Central da UFRGS.
No final dos anos 80 do século passado (puxa, estou ficando velha), eu trabalhava junto ao gabinete do reitor Gerhard Jacob, da UFRGS, e eram inúmeros os assaltos a alunos, funcionários e professores do Campus Central, assim como os roubos de carros ali estacionados. Ressalto que o Campus Central da UFRGS é o primeiro do Brasil construído nessa forma, ainda no final do século 19, e é vizinho do Parque Farroupilha, estando, naquela época, seus prédios em péssimo estado de conservação, cercados por gramados e árvores abandonados, com algumas cercas e muros semidestruídos.
A reitoria da época foi diretamente à solução mais prática: cercar os quarteirões do Campus Central. E, imediatamente, surgiu resistência semelhante à atual quando se fala no Parque Farroupilha: '...mas não pode, o Campus é público, de uma universidade pública, não se pode fechar...' Entretanto, o pró-reitor José Serafim Gomes Franco, como responsável específico pelo tema, foi firme e convenceu o reitor a autorizar o início das obras.
À medida que o cercamento foi sendo feito, deixaram totalmente de acontecer os fatos negativos que tantos prejuízos traziam à população que circulava, estudava e trabalhava na área do Campus Central da UFRGS. Não foi uma obra fácil, porque as universidades federais sofrem há muito tempo com o descaso do governo federal, entretanto, quando algo é considerado prioridade, e se trabalha seriamente, acha-se um jeito.
Meu testemunho pode ser reforçado por qualquer dos colegas que viveram aquela época e também pelos que freqüentam hoje a UFRGS. Mais do que isso, a história que seguiu o cercamento do Campus Central mostra o acerto da decisão do reitor e do pró-reitor, pois a partir dela, mesmo com os parcos recursos e os poucos funcionários destinados à segurança daquela área, foi possível restaurar e aperfeiçoar condições positivas de uso. As gestões seguintes não tiveram motivo para mudar a decisão, até porque, na cidade e no país, as questões de segurança ficaram cada vez mais difíceis.
Na área protegida do Campus Central da UFRGS, nas duas gestões da professora Wrana Panizzi, teve início o projeto de restauração dos valiosos prédios históricos que ali estão localizados. Com o apoio da iniciativa privada, dos poderes públicos e de doações individuais, temos hoje um museu, um teatro, um cinema, bibliotecas, bares, salas de aula, agências bancárias, o Salão de Atos, funcionando na área cercada, segura... e aberta ao público. A área do Campus Central também é usada por quem quer fazer um atalho entre Osvaldo Aranha e Sarmento Leite ou João Pessoa, e essas pessoas usam com melhores condições ainda esse 'atalho'.
Os outros campi da UFRGS tiveram igual tratamento, melhorando as condições de seu uso à medida que cercas eram instaladas. Compreendeu-se que 'público' não quer dizer 'aberto a qualquer um', indiscriminadamente, possibilitando o ingresso até mesmo daqueles que possam causar danos ao patrimônio físico ou aos seus usuários.
Felizmente, há 30 anos, ninguém achou que deveria consultar o público para tomar uma decisão que visava ao bem desse mesmo público. As autoridades investidas assumiram sua responsabilidade, simplesmente. (ass.) Silvia Maria Rocha, funcionária aposentada da UFRGS".
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