Primavera no Parque Farroupilha

Matéria e fotos publicados no site do Jornal Já www.jornalja.com.br em 21 de novembro de 2005.

jj-051121-1.jpg Ao completar 60 anos (1935-1995) o Parque Farroupilha foi eleito como o local mais querido dos porto-alegrenses. Nem precisava, pois há sete décadas com o nome de Parque Farroupilha é coração e pulmão da cidade. No entanto, essa unanimidade foi conquistada com muita luta para que não virasse loteamento.
jj-051121-2.jpg Sua história iniciou bem antes, em 24 de outubro de 1807, quando o local foi doado pelo governador Paulo José da Silva Gama "para os utilíssimos e necessários fins de conservação de gados que matam nos açougues desta vila". Uma cláusula do contrato estabelecia que a área não poderia ser alienada sem expressa autorização de Sua Alteza Real, Dom João VI. Essa cláusula foi que salvou o atual Parque Farroupilha, impedido por Dom Pedro I de ser loteado e vendido em 1826, por estar destinado a local para exercícios militares.
jj-051121-3.jpg Em 1824, a câmara municipal pediu a concessão da área para fins de loteamento. Esta foi aprovada pelo governador, mas não por D. Pedro I, que a destinou para exercícios militares. Em 1833, foi aprovado um plano de aproveitamento que reduzia a área da Várzea e criava lotes para venda. Mas isso, sorte nossa, novamente não aconteceu, graças a um documento assinado por 20 cidadãos. Entre 1834 e 1848, a própria Câmara providenciou a demolição de cercas e de uma casa construída irregularmente na área.
jj-051121-4.jpg Mesmo assim, a área da várzea já teve originalmente 69 hectares, quando era apenas um espaço residual da cidade. Hoje o parque ocupa 37 hectares e continua mantendo o status de uma das mais importantes áreas verdes da capital. Está localizado junto ao centro de Porto Alegre entre os bairros da Cidade Baixa e Bom Fim e a sua topografia praticamente plana, é resultante dos sucessivos aterros realizados para cobrir essa área alagadiça.
jj-051121-5.jpg De Campos da Várzea – o nome original –, virou Campos do Bom Fim, e, em 1884 recebeu a alcunha que carrega até hoje: Campos da Redenção, em homenagem à libertação dos escravos de Porto Alegre, quatro anos antes da proclamação da Lei Áurea. Parque Farroupilha, só em 1935, quando a urbanização definitiva aconteceu para abrigar as comemorações dos 100 anos da Revolução dos Farrapos.
jj-051121-6.jpg * Raquel Santana, 43 anos, formada em jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (PR) e pós-graduada em Comunicação e Marketing Empresarial pelas Faculdades Cásper Líbero (SP). Trabalhou como repórter nos jornais Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Folha de Londrina, entre outros, sempre na área de texto. Em 2001, muda-se para Lisboa, Portugal, onde faz uma correspondência para o jornal Gazeta do Povo, quando adquire sua primeira câmera digital. A partir daí muda de área, dedicando-se quase que exclusivamente a fotografia. Fez sua primeira exposição em 2004, no Memorial de Curitiba e participa no mesmo ano de uma coletiva em Belo Horizonte. Este ano, mostrou um ensaio sobre o tema "Movimentos", junto com seu parceiro, José Carlos Filizola, no Café Teatro Sesi-Minas.


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