Camelôs ocupam a Redenção aos domingos
Sem fiscalização, ambulantes expõem produtos ilegais e preocupam artesãos e usuários do brique

Matéria e foto publicados na Zero Hora, de 10 de outubro de 2005, Página 05.

MELISSA HOFFMANN
zh-051010-33 Um camelódromo está instalado a poucos metros do tradicional Brique da Redenção. Lá se vendem CDs e DVDs piratas, óculos, bonés, meias, isqueiros, cuias, suportes para chimarrão, prendedor de cabelos, adesivos para cadernos e uma infinidade de quinquilharias. A impressão para quem contorna o espelho d´água nos domingos é semelhante à de passear por algumas ruas do centro da Capital.
A presença de camelôs deixou alguns usuários da Redenção indignados.
- Não combina com o brique, mas é inevitável, eles (os camelôs) estão por toda a parte - disse Mariana Losso, 19 anos, que ontem tomava chimarrão com duas amigas.
A estudante Juliana Serpa, 21anos, também reclama:
- Acho horrível. Eles vêm para cá e colocam esses CDs pirateados tocando a todo o volume. Não tem nada a ver com o brique.
Quem também não está contente com essa situação são os comerciantes regulares do brique. Há 25 anos na feira, a artesã Magaça Brandão conta que teve de passar por uma triagem para ter montar a banca:
- Aqui temos regras, sofremos pressão. E são os próprios artistas que têm de estar todos os domingos vendendo os seus objetos. Sei que esses ambulantes precisam trabalhar, mas por que não vão para outro lugar? Eles são apenas repassadores, enquanto a gente se dedica à nossa arte - disse a artesã.
A pintora Ana Diniz, que trabalha há 11 anos na Redenção, acha que, se não houver fiscalização, o espaço ficará como a Rua da Praia, cheia de camelôs.
- Essa feira é de artesanato. Esse pessoal (camelôs) traz coisas de fora, produtos industrializados, descaracteriza a função do brique.
Vereador pediu providências a secretários municipais
Na segunda-feira passada, o vereador Adeli Sell (PT) mandou um e-mail aos secretários Beto Moesch (Meio Ambiente) e Idenir Cecchim (Produção, Indústria e Comércio) pedindo providências:
- Se não tiver retorno até domingo, fotografarei o estado do brique e mostrarei ao prefeito (José Fogaça) - afirmou Adeli, que comandou a Smic no governo João Verle.
Preferindo não se identificar, uma vendedora ambulante terminava de montar sua banca ontem com a ajuda da filha, protegendo os produtos da chuva com um plástico:
- Faz muito tempo que eles (Smic) estão deixando a gente trabalhar. Até quando, não sei. Geralmente, passam, avisam para a gente não comercializar e aí saímos, para evitar o confronto. Mas temos de trabalhar. Aos domingos é uma oportunidade de ganhar alguns trocados.
Há quatro anos como camelô no Centro, a mulher oferecia prendedores de cabelos e adesivos. Enquanto isso, espera que o comércio no Centro se regularize e ela não precise mais correr dos fiscais.
( melissa.hoffmann@zerohora.com.br )
Contraponto
O que diz Léo Antônio Bulling, diretor de fiscalização da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic)
Temos uma equipe que trabalha nos finais de semana nos parques, mas a partir dessa denúncia vamos intensificar a fiscalização no Parque Farroupilha. O Brique da Redenção tem um número certo de comerciantes. Vamos montar uma equipe reforçada para coibir esse comércio ilegal e pedir ajuda da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam).



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