Comércio preocupado com o tráficoA falta de policiamento aos domingos junto ao Mercado do Bom Fim é a principal reclamação dos comerciantes que mantêm lojas na área.
Embora haja a presença de policiais ao longo da semana, a maioria lembra que é justamente o domingo o dia de maior preocupação.
"O uso de drogas em frente às lojas é insuportável e aumenta a cada semana.
Até os turistas pedem providências, mas não temos mais o que fazer", diz o proprietário de um dos espaços, que prefere não se identificar.
O medo por represálias é justificado pelo também frequente ataque ao mercado.
Depredações com pedras e pichações já fazem parte do cenário e motivaram alguns comerciantes a protegerem suas janelas com placas de zinco, nos horários em que não há atendimento ao público.
Pelo menos algumas alternativas levantadas insistentemente por eles são a realização de mais atividades culturais na frente das lojas e a extensão do brique da Redenção "Com a presença de famílias talvez os grupos respeitem mais", alegam.
O presidente da Associação dos Permissionários do Mercado Bom Fim (Aspem), Paulo Francisco Sangineto, afirma que está na hora de agir "Reuniões não resolvem mais nada. Sabemos do problema e como solucioná-lo, mas não somos nós que devemos colocar em prática".
Para ele a prioridade é a reativação do posto da Polícia mantido ao lado do mercado.
"Não acredito que inibirá a ação dos grupos mas poderemos pedir apoio mais rapidamente.
Não podemos bater de frente com essa turma, como nos sugerem. Esse não é o nosso papel" admite.
O tenente-coronel do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM), Leo Emar Cunha, confirmou que dentro de alguns dias será iniciada a obra para a reforma do posto junto ao Mercado.
Ele disse, no entanto, que o policial mantido no local continua circulando pela região durante 24 horas.
O posto será reformado com recursos conquistados junto a empresários do bairro.
Quanto à retirada dos grupos que assustam os comerciantes no Bom Fim, Leo Cunha destacou ser difícil a identificação de traficantes e usuários.
"A partir deste final de semana reforçaremos as ações, mas a intenção é trabalhar com o serviço de inteligência para acabar com o problema pela raiz".
Apesar de a Polícia ter conhecimento do fato, o tenente-coronel salientou que, se isso não for feito, os grupos apenas trocarão de lugar.
"Temos outros parques para vigiar e não há como manter policiais fixos em cada um deles", admitiu.