A festa dos 25 anos do Brique Além das antigüidades à venda na Rua José Bonifácio, junto ao Parque Farroupilha, os freqüentadores do Brique da Redenção tiveram ontem mais motivos para relembrar o passado.
Criada há 25 anos, a feira popular segue atraindo novas gerações sem perder a fidelidade das anteriores. Os segredos desse sincretismo, de acordo com uma pesquisadora do parque, estão na diversidade e na democracia de uma Porto Alegre metrópole e em sua mescla com outra ainda idêntica às cidades do Interior.
Seduzida pela feira, Jeanette Lontra, socióloga e mestranda em Planejamento Urbano pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, vê na capacidade de recuperar a memória e realimentar o imaginário do porto-alegrense a origem do sucesso do Brique. Nele, segundo a pesquisadora, a cidade de 1,3 milhão de habitantes transforma-se em uma pequena província unida por uma rua. Aliás, conforme sua teoria, a rua em que se situa o Brique sequer é digna desta definição:
- A José Bonifácio não é uma rua aos domingos. No imaginário da população, ela continua a fazer parte do parque. Todos se sentem um pouco seus proprietários e procuram resgatar seus passados. Nela, as pessoas se sentem como no Interior, ao mesmo tempo em que aceitam todo tipo de pessoa, como uma metrópole sem preconceitos - avalia.
Ontem, o domingo de aniversário de 25 anos da feira encerrou os festejos do aniversário de Porto Alegre. Exposições de carros antigos e de amostras científicas do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul atraíram os freqüentadores.
Aos visitantes se juntavam profissionais como Varceli Freitas Filho, 49 anos, o último lambe-lambe da Capital, e os artistas Lizandro Souto, 30 anos, e Robert Kiefer, 22 anos - os palhaços Biscoitão e Picolé. Todos vêem o Brique como um dos mais importantes espaços de entretenimento ou de sustento. Para Souto, a feira e a cidade hoje são uma só:
- Porto Alegre não é Porto Alegre sem o Brique.