Parque Farroupilha - Redenção

Araújo Vianna é fechado por erros do passado
Carlos Maximiliano Fayet, arquiteto responsável pelo auditório, recomendou cobertura fixa

Matérias e fotos publicados no Jornal Já - Bom Fim/Moinhos, Número 348, 1ª quinzena de maio de 2005, Página 06.

araujo-1 Cleber Dioni
A cobertura do Araújo Vianna vai direto para o lixo, disse o secretário municipal da Cultura, Sergius Gonzaga, ao anunciar a jornalistas no dia 28 de abril que o auditório seria fechado a partir daquela data.
Motivo: infiltrações, remendos, ação de fungos, além do risco de ruptura das cordas que seguram a lona, verificado em laudo técnico da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov). Sem dinheiro para substituir o material, Sergius avisou que não há previsão para reabertura.
O arquiteto Carlos Maximiliano Fayet, autor dos projetos do auditório e da cobertura, já previa a interdição do local por erros do passado (precisamente em 1996), quando a administração Tarso Genro optou por uma estrutura mais leve e barata.
"Infelizmente não seguiram o nosso projeto original que recomendava a instalação de uma cobertura fixa no auditório, com o mesmo formato do atual e excelente isolamento acústico. Quiseram dar um aspecto mais leve, mas foi a decisão errada. Às vezes, o barato sai mais caro”, lamenta Fayet.
A aquisição e colocação da cobertura custaram ao município cerca de R$ 660 mil, 60% do que foi gasto com todas as reformas feitas no local, naquela época, pela Contesa Engenharia. A lona plástica de laminado sintético, de 4 mil metros quadrados, está presa a uma estrutura de aço com de 70 metros de diâmetro e 19 metros de altura no ponto mais alto – o centro do auditório.
O prazo de durabilidade desse tipo de cobertura foi estimado pelo arquiteto Fayet em 10 anos. Mas já estava condenada desde 2002, segundo o engenheiro Ricardo Mesquita, diretor de Obras Prediais da Smov.
A Prefeitura estuda duas alternativas para substituir a estrutura atual: uma seria a colocação de lonas mais resistentes, e a outra uma cobertura fixa, com telhas especiais, apropriadas para o isolamento acústico, cujo pré-projeto foi feito em 2003 a partir do primeiro estudo do arquiteto Fayet.
Este seria o mais indicado, até para evitar novos transtornos com a comunidade do Bom Fim e com o Ministério Público que, em outras ocasiões, já obrigaram a Prefeitura a realizar obras para conter os altos índices de poluição sonora produzidos em shows e demais apresentações artísticas.
Mas quaisquer modificações nesse sentido custariam mais de R$ 1 milhão, recurso que o Município não dispõe. Por isso, Sergius Gonzaga anunciou que em breve será publicado edital convocando empresários interessados em patrocinar as obras necessárias para a reabertura do auditório. A contrapartida seria a instalação pelas empresas de placas publicitárias ao longo da nova cobertura ou no entorno do prédio.

Polêmica à vista
araujo-2 O secretário municipal da Cultura aproveitou o encontro com os jornalistas para anunciar que irá propor o cercamento do Araújo Vianna, enquanto estiverem concluindo as reformas. O objetivo é evitar que mendigos durmam debaixo das marquises do auditório.
“Mas isso vai depender da reação dos moradores do Bom Fim e dos freqüentadores do parque, com quem pretendemos nos reunir, e da liberação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc)”, afirmou Sergius Gonzaga.
Se depender da comunidade, a proposta deve virar polêmica, como aconteceu nas diversas oportunidades em que se discutiu os projetos de lei para cercar todo o Parque Farroupilha.

João Gilberto fez história
araujo-3 O baiano João Gilberto foi uma das atrações preparadas pela Prefeitura, em 1996, para comemorar a reativação do Auditório Araújo Vianna, já com a cobertura. Foi uma noite histórica para as mais de 3 mil pessoas que assistiram ao show do dia 18 de outubro, já que o músico nunca havia se apresentado para um grande público em Porto Alegre.
As atrações iniciaram no dia 4 de outubro, com as apresentações da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro, Geraldo Flach e Quarteto e Vitor Ramil, e se estenderam até o dia 19 de novembro. Passaram pelo auditório nomes como Ney Lisboa, Papas da Língua e Renato Borghetti. Para o cantor Bebeto Alves, que acompanhou outros shows antes de subir ao palco, a reinauguração do Araújo marcou uma nova etapa na vida cultural da cidade.



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