Themis completa dez anos de assessoria às mulheres A Organização Não-Governamental (ONG) Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero comemorou ontem dez anos de atuação no Rio Grande do Sul, principalmente na Região Metropolitana.
A festa, no Parque da Redenção, também serviu para anunciar a nova campanha da ONG:"Violência Sexual: quem esconde o problema, esconde a solução".
Lutando pelo direito das mulheres, a Themis - que tem seu nome em homenagem à deusa grega da Justiça - já virou referência nacional na prestação de assessoria jurídica a quem sofre qualquer tipo de violênica ou discriminação.
Um dos projetos mais conhecidos e que já espalhou para outros sete estados é o das promotoras legais populares, pessoas com baixas renda e escolaridade motivadas a repassar às comunidades os seus direitos.
A advogada Virgínia Feix, coordenadora do ONG, relata a trajetória da entidade.
Jornal do Comércio - Como surgiu a idéia de criar a Themis?
Virgínia Feix - Foi em março de 1993, em um momento internacional que afirmava que a violação dos direitos das mulheres era também violação dos direito humanos. Um grupo de mulheres da áreas do Direito resolveu lutar pela construção de uma sociedade igualitária, ampliando as condições de acesso à Justiça.
Jornal do Comércio - Como está o projeto das promotoras legais populares?
Virgínia - Hoje estamos nos fortalecendo aqui e espalhando para mais sete estados, como Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e Mato Grosso.
Elas recebem curso de capacitação em direitos humanos das mulheres para poderem repassar às suas comunidades.
Mulheres que nunca imaginaram que pudessem se defender juridicamente, agora sabem.
Jornal do Comércio - O que mudou em dez anos?
Virgínia - Há uma maior pressão no Estado para que as coisas mudem, o que é bom.
Apesar disso, as políticas públicas para as mulheres são fragmentadas.
Precisamos de uma ação governamental mais centralizada.
Não adianta criar uma secretaria da mulher, por exemplo, se não há recursos para alavancar um projeto.
Jornal do Comércio - Quais são os principais problemas enfrentados hoje pelas mulheres?
Virgínia - Isso não mudou muito, continua sendo a violência e a discriminação.
Apesar de toda a nossa luta, ainda enfrentamos o estigma de valer menos do que os homens.