Feira mostra impacto dos tributos sobre os preços
RODRIGO MÜZELL
Em uma semana de polêmica sobre a proposta de aumento de impostos feita pelo governo do Estado, uma feira diferente ocorreu no Brique da Redenção ontem, na Capital. Entre 9h e 14h, quem chegasse no Monumento ao Expedicionário era atraído por artistas em pernas-de-pau para uma exposição de 60 produtos que mostravam nas etiquetas a carga de impostos correspondente.
O Feirão do Imposto foi realizado pela Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) para chamar a atenção sobre a quantidade de impostos pagos pelo consumidor. Estantes exibiam produtos básicos, como feijão e óleo, manufaturados, como telefone celular e livro, e serviços, como transporte. Todos com uma etiqueta com o preço cobrado, a carga de impostos e o valor que seria pago pelo cliente sem os tributos.
- Queremos que o consumidor saiba quanto do seu salário vai para o governo sob a forma de tributos insonegáveis, pagos quando se compra um produto ou serviço - explicou o presidente da Federasul, Paulo Afonso Feijó.
Crítico feroz do projeto do governador Germano Rigotto, que prevê aumento nas alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Produtos e Serviços (ICMS) de 25% para 30% nas telecomunicações, combustíveis e energia elétrica, Feijó disse que as entidades empresariais vão denunciar, inclusive em outdoors, os deputados estaduais que votarem a favor do aumento.
Entre os visitantes, a reação mais comum era de espanto com os valores estampados nas etiquetas. A cabeleireira Maria Edith Chagas sempre achou que pagasse muito imposto, mas não imaginava que a diferença permitisse levar uma lata de azeite a mais a cada duas compradas sem o imposto.
- Todas as lojas deveriam mostrar quanto é pago de tributos em cada produto - defendeu.
( rodrigo.muzell@zerohora.com.br )
13 dias por mês para impostos
O administrador de empresas Alfredo Jardim, 40 anos, usou um dos computadores disponíveis no Feirão do Imposto para calcular quanto paga em tributos todo o mês. Ficou admirado com os dados que obteve. Inserindo sua renda média e quanto gasta em itens como instrução, saúde e alimentação, ele viu o programa de computador mostrar que trabalha 13 dias por mês só para pagar impostos. Cerca de 45% de sua renda é transferida para os governos federal, estadual e municipal sob a forma de impostos que são cobrados nos produtos que consome. - O problema é que o governo nos cobra e não há retorno. Em países como os Estados Unidos, tu vês o destino do imposto. Se tivéssemos bons serviços, a grande maioria das pessoas concordaria em pagar os tributos - diz Jardim. No computador, o relatório do software mostrava como a carga tributária atinge igualmente consumidores e empresas: o empregador de Jardim tem de recolher ao fisco 44% do valor pago ao trabalhador. Como resultado disso, o setor público recebe quase o mesmo valor de salário em forma de impostos.
- O problema é que o governo nos cobra e não há retorno. Em países como os Estados Unidos, tu vês o destino do imposto. Se tivéssemos bons serviços, a grande maioria das pessoas concordaria em pagar os tributos - diz Jardim.
No computador, o relatório do software mostrava como a carga tributária atinge igualmente consumidores e empresas: o empregador de Jardim tem de recolher ao fisco 44% do valor pago ao trabalhador. Como resultado disso, o setor público recebe quase o mesmo valor de salário em forma de impostos.