Parque Farroupilha (Redenção)

Ladrões saqueiam luzes
Furto de cabos de energia causa prejuízo a vias e parques

Matéria e foto publicadas na Zero Hora de 10 de dezembro de 2004, Página 54.

exemplos de vandalismo LEANDRO STAUDT/ Especial/ZH
Os ladrões de cabos elétricos estão deixando às escuras ruas e parques de Porto Alegre. Ousados, eles agem em movimentadas avenidas. Passarelas e viadutos estão entre os principais alvos dos criminosos, que derretem os fios para vender o cobre. O prejuízo da prefeitura este ano é de R$ 300 mil.
Os furtos de cabos viraram, desde outubro, uma epidemia a ser combatida pela prefeitura. A Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) registra pelo menos uma ocorrência por dia. Nos finais de semana, os ladrões fazem a festa.
- A quantidade de furtos é tão grande que não damos conta da reposição. O dinheiro gasto só na substituição do que foi levado neste ano seria suficiente para trocar os postes, as luminárias e as lâmpadas da Avenida Farrapos - diz a diretora da divisão de iluminação pública da Smov, Vera Maria De Nadal.
O vidraceiro Joel Portes da Silva, 55 anos, enfrenta há duas semanas a falta de luz na Avenida Ernesto Neugebauer, bairro Humaitá. Todos os postes ficaram com as lâmpadas apagadas após o furto de fios.
- A zona onde moramos normalmente é perigosa, e agora tememos mais assaltos. Os vizinhos têm filhos na escola à noite e estão com medo - comenta Silva.

Cobre é vendido por R$ 6 o quilo

As 13 equipes de manutenção da prefeitura precisam usar a criatividade para enganar os vândalos. Trocam os locais da fiação ou escondem as redes. Há casos em que os canos usados para proteger os fios foram recheados com concreto. Essa estratégia está fora das normas técnicas, porque em caso de falha técnica todo o cabo será perdido. É o risco para escapar dos criminosos.
- Esses ladrões têm conhecimento técnico e devem usar um alicate com isolamento para cortar os fios sem levar uma descarga elétrica. Eles se penduram em passarelas e viadutos para arrancar os cabos. Na Pista de Eventos, no Porto Seco, alguém tentou cortar um cabo de alta-tensão. Não levaram nada, mas o conserto custou R$ 5 mil - diz Vera.
Os furtos de cabos telefônicos estão em queda após registrarem recorde histórico este ano no Estado. Segundo a Brasil Telecom, os ladrões levaram 460 mil metros de fios até novembro. Só na Capital são 77 mil metros. Quase 25% do material foi recuperado pela polícia, mas o prejuízo estimado é de R$ 5 milhões. A estratégia é atacar os receptadores, que compram o cobre.
- Em junho e julho, perdemos em média 14 mil metros de cabos na Capital. Com as ações, o furto caiu para menos de 2 mil metros em novembro - diz a diretora institucional, Rita Daudt.
A Secretaria da Justiça e da Segurança criará um serviço especial para combater o furto de cabos de cobre. O delegado Luis Fernando Martins Oliveira investigou esse tipo de crime e descobriu que, por meio de notas fiscais, dois depósitos de sucata venderam cobre furtado para metalúrgicas de São Paulo e para produtores de uva de Caxias do Sul.
- Os ladrões vendem o cobre para depósitos que pagam na faixa de R$ 6 pelo quilo. Todo esse material é repassado para empresas maiores, que revendem o metal - conta.
leandro.staudt@rdgaucha.com.br

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