Parque Farroupilha (Redenção)

Os caminhos da Redenção

Matéria e fotos publicadas no Fala Bom Fim, Nº 41, de Dezembro de 2004, Capa e Página central.

caminhos A maior área verde da cidade deve passar por transformações com a mudança no governo de Porto Alegre. O Parque Farroupilha passou por um recente processo de revitalização, com a reforma de recantos, a instalação de espaços como o Café do Lago, o parque de diversões e a nova direção dos pedalinhos pela empresa Zaapt Zun. Os cuidados com a manutenção e a limpeza foram reforçados, apesar da diminuição do número de funcionários prejudicar esse trabalho. Em conversa com o Fala Bom Fim, Clóvis Breda, atual administrador, conta as dificuldades e os prazeres de gerenciar um espaço que recebe dezenas de milhares de pessoas por mês, está sempre na mira dos mais críticos e que mexe com o coração dos porto-alegrenses.

Administrador do Parque Farroupilha espera avanços do próximo governo

caminhos O funcionário municipal Clóvis Breda está desde março de 1999 na coordenação da administração do Parque Farroupilha. Engenheiro agrônomo formado pela UFRGS e licenciado pela PUC em disciplinas especializadas em 2 grau na área agrícola, Breda está confiante no futuro do mais famoso parque de Porto Alegre. Breda é funcionário concursado da secretaria municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), mas logo após ingressar no serviço público passou a atuar na secretaria do Meio Ambiente (Smam).
caminhos Ele foi o primeiro administrador do parque natural do Morro do Osso e trabalhou no projeto inicial de urbanização do parque Gabriel Knijinik. Breda não procura polemizar sobre a situação encontrada quando assumiu a coordenação do parque. Na sua visão, a antiga administração tinha os seus limites e fazia bem o trabalho de conservação, manutenção e melhorias do parque. Quando assumiu, Breda contava com 45 funcionários. Os parques não possuem um orçamento específico, os recursos vem direto da Smam.
Breda apontou diversos avanços durante sua gestão: Tudo teve início com o projeto revitalização do Parque Farroupilha, como as restaurações da fonte francesa, do recanto europeu, a construção do café do lago, a recuperação da ilha dos pedalinhos, a instalação do parque Zapt Zum, o novo mercado do Bom Fim, o comércio ambulante, que passou a ter melhor organização, colocação de lixeiras novas, bancos e sanitários, melhor ajardinamento, higienização de lagos e chafarizes.
Em termos econômicos, Breda disse que os novos permissionários trouxeram um incremento de receitas na ordem de 3000%. “Mas a nossa maior conquista foi o aperfeiçoamento na relação com a comunidade, que pôde se afirmar em um conselho consultivo que se reúne mensalmente”, afirmou. Por outro lado, ele apontou falhas que podem comprometer o bom andamento do parque. A redução de equipe de 45 para 25 funcionários afetou o processo de manutenção e preservação. Isso está sendo suprido com trabalho prisional: 10 albergados que contribuem com a manutenção do parque. “Se os recursos advindos dos permissionários tivessem aplicação total no parque, não teríamos problemas na questão da fiscalização, por exemplo. No Parque Moinhos há o processo de adoção, os recursos são direcionados inteiramente para o parque e mesmo assim não deixou de receber recursos orçamentários. Esse plus poderia melhorar a qualidade do parque”, argumentou.
caminhos Breda disse ainda que o poder público poderia ter avançado nas parcerias com empresas privadas e na utilização de incentivos fiscais. “Já lançamos o edital para a adoção do mini zôo, mas é difícil convencer as empresas a se engajar nesse projeto”, explicou. Sobre a polêmica questão do cercamento do parque, Breda considera que a população precisa ser ouvida na sua totalidade. “Num primeiro momento existe uma clima para o cercamento, pois os problemas de vandalismo e furtos ocorrem durante a noite. Porém, precisamos adotar antes o aumento de policiamento no sentido de proteger mais o patrimônio público. Parece que a vigilância ficou sempre em segundo plano em relação ao cercamento”, criticou.
caminhos Independente da decisão Breda acredita que é preciso ações mais efetivas para garantir a preservação do patrimônio. O administrador do Parque Farroupilha considera excelente a relação com a Brigada e a Polícia Civil: temos uma visão compartilhada sobre os problemas do parque e a colaboração é mútua. Facilitamos o deslocamento das viaturas dentro do parque com a podas que antes formavam esconderijos e colaboramos para a reativação do posto policial.
Clóvis Breda enumerou projetos que precisariam ter andamento por parte do novo governo municipal: o trabalho prisional (mais barato e contribuiu para a ressocialização dos apenados), os programas de educação ambiental, a coleta seletiva de lixo, a criação de área exclusiva pra os cães, o programa “jardineiro mirim”, e a ampliação das adoções. “Mudar significa fazer coisas novas. Ter mais ambição e isso deve ser a preocupação do próximo prefeito”.
A administração do Parque Farroupilha não tem uma noção sobre o número de usuários que freqüentam diariamente o parque. Ele estima que 400 mil pessoas usufruem o local mensalmente. “O Brique, no domingo, recebe de 25 a 30 mil pessoas”.
caminhos





Sobre os guardas-parque, que estão presentes há 18 anos em Porto Alegre, Breda informa que esses funcionários têm uma função educativa e orientadora. Eles estão habilitados a fazer notificações, mas não podem lavrá-las. Para essa atividade existem os agentes fiscais. “Poderíamos dar ao guarda esse tipo de atribuição, até para poder agilizar mais a atuação da fiscalização”, sugeriu. Em relação ao seu futuro frente ao parque, Breda considera que sua permanência está a cargo dos novos governantes: “Em março completo 15 anos de serviço público. Acima de tudo quero servir a população. Estou disposto a trabalhar em qualquer setor da secretaria”, finalizou.

Voltar p/O parque na Imprensa Voltar p/Página Inicial Fechar Janela