Guarda-parque não recebe apoio da prefeitura
Criada há 17 anos, a guarda-parque que atua no interior da Redenção realiza um trabalho isolado e que depende mais da boa vontade dos profissionais que nela atuam do que de uma ação organizada e planejada pelo Executivo municipal. A declaração foi feita pelo coordenador do grupo que está lotado no Parque Farroupilha, Jorge N. de Carvalho no encontro da Comissão de Gerenciamento, na sala do orquidário, ocorrido no dia 06 de outubro.
A confissão de abandono, relatada por Jorge surpreendeu aos representantes de diversas entidades de usuários e de moradores do entorno do parque. “Há 17 anos na função, não nos deram determinações e atribuições. Nós é que nos auto-regulamos”, ressaltou.
Pela legislação os guarda-parques não tem autorização para o porte de arma, o que em muitas vezes, somado ao pequeno efetivo disponível, dificulta determinadas abordagens. “Os riscos são grandes para nós”, acrescentou Jorge. Ele exemplificou as distorções destacando que no caso dos ambulantes, a legislação só lhes permite abordar os que estão trabalhando regularmente, com licença da prefeitura. “Os ilegais e irregulares não podemos fazer nada porque não nos é permitido”, reclama, alegando que esses são os maiores causadores de problemas no parque, somado aos traficantes e usuários de drogas.
A saída tem sido operações conjuntas com a secretaria municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) e a Brigada Militar, mas Jorge considera as mesmas sazonais e com eficácia limitada. Em outubro, nos dias 17 e 24 essas operações foram realizadas e nos meses de novembro e dezembro deverão ser repetidas em datas já previstas, porém não divulgadas.
Tráfico de drogas é o maior problema.
Apesar da unanimidade dos presentes de que a ação dos traficantes no interior e nas margens do Parque Farroupilha é o principal ponto de conflito com a comunidade que utiliza a maior área verde da Região Central da Cidade, para a polícia Civil não há muito que ser feito. No caso do órgão estadual, os problemas existentes no município parecem se repetir. Falta efetivo, estrutura e em ambos os casos as ações são realizadas de forma isolada e sem integração entre Estado e Município.
Conforme a delegada Jovenessa Pace Soares, diretora da Divisão de Prevenção e Educação (Dipe) do Departamento de Narcóticos (Denarc), ainda assim, no ano passado e em 2004 as apreensões tem aumentado consideravelmente e, muitas delas resultaram de abordagens e operações realizadas no Bom Fim. “Esse é um problema generalizado da sociedade. Porto Alegre é a Capital brasileira com maior consumo de drogas. E se a quem compre, tem quem venda, de acordo com a lei de mercado, da oferta e da procura”, destacou a delegada, apostando em ações educativas como um forte instrumento para a redução futura do problema.
Proerd
Nesse momento, o vice-presidente da Associação dos Amigos do bairro Bom Fim, Milton Gerson, em aparte, reforçou os problemas de integração entre a Prefeitura e o Estado. Ele lembrou que um dos mais saudáveis projetos de educação infantil contra o uso de drogas e de combate à violência, o Proerd, executado com bases internacionais pela Brigada Militar têm sofrido boicotes por parte da administração do auditório Araújo Vianna. “Por duas vezes consecutivas, no ano passado e, agora em agosto de 2004, o comando do 9º BPM que organiza com o total apoio da comunidade o evento de formatura do curso que reúne somente dessa região da cidade, anualmente, não menos de duas mil crianças do ensino fundamental, sofreu constrangimentos por parte da pessoa responsável pelo espaço municipal”, afirmou Gerson pedindo providências do Executivo para tal situação.
Ao retomar o debate sobre a questão do consumo e tráfico de drogas no Bom Fim e na área que circunda o Parque Farroupilha, a delgada Jovenesa analisa que são os pequenos traficantes que atuam no local. “Isso dificulta muito mais o nosso trabalho, porque pela legislação, muitas vezes eles acabam caracterizados como usuários, que, inclusive, estão prestes a ser descriminalizados pela Justiça”, disse. A policial ainda apelou para o apoio da comunidade. “A informação é a arma mais preciosa que a polícia tem para agir com maior eficácia”, ressaltou a delegada que apontou o número do telefone de denúncias, 0800-518518, que garante o anonimato, como uma opção para a comunidade apontar os locais e a descrição dos traficantes. Os telefones da 2ª Delegacia de Narcóticos, 32882400 e o do 4º Regimento de Polícia Montada (4ºRpmon), 32884302, também foi divulgado para dar apoio em caso de necessidade dos freqüentadores do Parque Farroupilha.
Uma deliberação do encontro, foi a reativação da Comissão de Segurança, que em 2001, foi criada e reunia-se mensalmente para tratar dos problemas ocorridos no parque e no seu entorno. A primeira reunião ocorreu no final da tarde do dia 28 de outubro, no orquidário com a presença de diversos segmentos da força policial e entidades afins.