Quanto custa errar na separação do lixo
As lixeiras de cores verde e laranja se tornaram parte da paisagem de parques, empresas e escolas de algumas cidades gaúchas e, justamente por estarem tão incorporadas ao cotidiano, por vezes são ignoradas.
As cores não são apenas enfeite: indicam que tipo de lixo deve ser depositado ali. O simples gesto de arremessar um resíduo líquido na cestinha de lixo seco pode representar um prejuízo não apenas para o ambiente, mas também para as pessoas envolvidas na cadeia da reciclagem.
Pelo menos 700 pessoas hoje trabalham formalmente no processo de reciclagem em Porto Alegre e outras milhares informalmente, como os catadores de rua. O problema de misturar o lixo seco e orgânico na hora de escolher a lixeira se reflete na queda do índice de aproveitamento dos resíduos, na demanda de maior complexidade no processo de reciclagem e em risco para a saúde dos trabalhadores.
Além de separação incorreta, outro inimigo do processo de reciclagem que está ligado à escolha da lixeira é a sujeira dos materiais. Uma rápida lavagem em recipientes que podem ser reaproveitados mas estão sujos (copos plásticos, embalagens de iogurte) representa uma ajuda valiosa ao processo.
O coordenador da Divisão de Reaproveitamento e Reciclagem do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) de Porto Alegre, Ronimar Sacapini del Pino, ressalta a importância do gesto:
- A margarina que sobra em um pote derrete e contamina o material, fazendo-o perder todo seu valor. Ou a pessoa limpa ou não põe no lixo seco.
Usar o bom senso ao se lavar um material, também é importante. Um dos objetivos finais da reciclagem é diminuir o gasto de energia na fabricação de novos produtos. Com a reciclagem, o gasto em energia para fabricação de papel, por exemplo, cai de 900 para 40 quilowatts por tonelada.
Segundo o DMLU, fazer uma lavagem profunda, com gasto excessivo de sabão e água, acaba gastando muita energia, fazendo com que o processo não seja compensatório.
As pessoas envolvidas no processo garantem que a conscientização na hora de separar o lixo aumentou significativamente nos últimos anos. Mas ainda não é o ideal.
Para o coordenador do DMLU, mesmo que a separação não esteja sendo feita corretamente, as lixeiras coloridas têm como principal função educar as pessoas para que adotem o processo em suas casas.
Trabalho dobrado para Arlindo
É com desesperança que o capataz da limpeza da Redenção Arlindo dos Santos (foto) fala sobre a separação do lixo:
- As pessoas sabem separar, falta é vontade mesmo.
Com 21 de seus 54 anos dedicados ao parque, Arlindo esvazia, com um trator, as cerca de 600 lixeiras da Redenção. Depois, ele perde mais 40 minutos para separar novamente o lixo seco do orgânico, já que a divisão não é feita pela população. Em duas lixeiras da Redenção, abertas ao lado da reportagem, Santos constatou: a separação do lixo estava errada.