Morte na Redenção não alterará análise de árvoresA morte de um vendedor ambulante, atingido pela queda de uma árvore no sábado à tarde no Parque Farroupilha, em Porto Alegre, não alterará a política de manutenção de parques e praças da Capital.
O acidente, definido por técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) como uma "fatalidade", matou José Aurélio Guerra Martins, 35 anos.
Vendedor de artesanato e de livros infantis, Martins repousava em um banco público quando foi atingido por galhos de um eucalipto, próximo ao Lago da Redenção e à sede administrativa do parque.
Ferido na cabeça, o ambulante não resistiu.
A morte do vendedor ocorreu, segundo estudos técnicos realizados no local, porque a raiz da árvore - de cerca de 30 anos de idade - estava danificada, de acordo com o engenheiro agrônomo e administrador da Redenção, Clovis Breda.
A árvore não apresentaria, ainda segundo Breda, inclinação exagerada ou sintomas visíveis de apodrecimento.
- Não haveria como diagnosticar o problema na raiz antes da queda. Esse acidente surpreendeu a todos os funcionários do parque.
Consideramos uma fatalidade.
No dia 20, uma tempestade com rajadas de até 98 km/h atingiu Porto Alegre.
Ninguém ficou ferido, apesar da queda de 73 árvores na cidade.
Na tarde de sábado, com tempo bom, o eucalipto despencou sem que houvesse vento forte.
Essa relação entre a alta probabilidade de acidentes na segunda-feira e a morte do sábado serve como argumento para a conclusão dos técnicos da Smam: a morte de Martins foi um acidente e não deve alterar a política de manutenção dos parques de Porto Alegre.
Todos os anos, entre 30 e 40 árvores adultas do parque têm de ser removidas por representar ameaça à segurança dos visitantes ou simplesmente por perderem a vida.
As quedas, em geral, afirma Clovis Breda, estão relacionadas ao vento forte.
A intempérie exige que análises técnicas permanentes sejam feitas em grande parte das 8,5 mil árvores do parque.
Confiando na eficiência desse serviço de manutenção permanente, o supervisor de Praças, Parques e Jardins da Smam, Humberto Ortiz, decidiu manter o atual trabalho e não aumentar o número de profissionais ou realizar inspeção especial para verificar o estado das demais plantas:
- Temos técnicos que sistematicamente fazem vistorias em todo o parque. Eventualmente, quedas de árvores podem ocorrer - entende.
Só problemas na raiz de uma árvore podem explicar a falta de sintomas de apodrecimento ou de debilidade do eucalipto que causou a morte no Parque Farroupilha.
Segundo Sérgio Luiz de Carvalho Leite, engenheiro agrônomo e especialista em ecologia vegetal da UFRGS, uma perícia nos restos da árvore indicaria a causa da queda.
Leite entende que a queda de uma árvore sem condições climáticas adversas sugere que a planta não estava em perfeitas condições de saúde, o que em geral se traduz em sintomas visíveis no tronco ou na copa.
-Se não há vento excepcional e ainda assim a árvore cai, há evidência de um estado críticco da planta.
O que não quer dizer que fosse totalmente possível diagnosticar o problema - afirma.
Entre árvores urbanas, segundo Leite, quedas causadas pelo corte de raízes realizado por empresas de telefonia, de esgotos ou abastecimento de água são comuns.
Esse corte não-especializado debilita a estabilidade e seria a causa de parte das quedas de árvores urbanas, como as verificadas em tempestades como a do dia 20.