Parque Farroupilha (Redenção)

O parque na Imprensa


Berimbau ou gaita?

Matéria publicada no Fala Bom Fim, Nº 34, de Maio/2004, Página 04.

Paraná ê... Paraná ê... Paraná! Não sou nenhum estudioso da Capoeira e compreendo que, contida na cultura e na arte de movimentos, ela exprime uma síntese da nossa herança africana através da música, dança e forma de luta. Contudo, mesmo respeitando a expressão corporal eclodida ao som do berimbau com cantos em ritmos de ladainhas, ir ao Brique da Redenção e ver quase sempre rodas de Capoeira, torna-se maçante. Sei que ela nos remete à nossa história e é um fenômeno nacional. Mas todos os domingos é demais. Creio que o ideal é se tivéssemos ainda ao alcance do olhar outros espetáculos, especialmente os ligados à nossa terra.
O Brique da Redenção já faz parte da programação dos gaúchos. Principalmente pela manhã, quando podemos notar pessoas passeando com cuia de chimarrão na mão, pegando um sol e observando os produtos oferecidos na feira. Turistas também são avistados seguidamente. Afinal, o cartaz do Brique ultrapassou o limite estadual. Por Isso, faço uma indagação: por que ao invés da Capoeira, não podemos assistir outro tipo de show, que esteja mais próximo da tradição gaúcha? Sim, porque, às vezes, me pergunto: o que pensaria um baiano saturado do berimbau, que estivesse pela primeira vez no Rio Grande do Sul?
Não queremos censurar a Capoeira, longe disso. Até porque os praticantes devem se dirigir à Redenção espontaneamente ou através das suas entidades. Mas além dela, por que no palco livre do Brique da Redenção não ouvimos o som do acordeão, a poesia da trova e as danças da chula e do facão? Falta iniciativa dos grupos de dança, imaginação, patrocínio ou apoio de autoridades para contemplar nossas raízes? Todos os domingos saio do parque sem resposta. Resposta que, talvez, a Prefeitura Municipal ou a Associação do Bairro Bom Fim, onde resido, possa me dar. Entendo, também, que o vereador Isaac Ainhorn, que possui profundas relações com o bairro Bom Fim, poderia, juntamente com a comunidade, tentar desenvolver um trabalho para mudar esse quadro.
Marco Aurélio Nunes Jornalista e morador do Bom Fim



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