Vereador critica restrição ao uso dos gramados   Estacas colocadas no local impedem atividade de desportistas.
O vereador João Bosco Vaz (PDT) criticou a proibição do uso dos gramados da Redenção para o lazer.
Segundo Bosco, "algumas cabeças privilegiadas da administração municipal" decidiram encher o gramado do Parque da Redenção de tocos de madeiras fincados na terra para impedir que as crianças brinquem e joguem futebol.
Para o parlamentar, que tem sua base eleitoral na área do esporte, a medida teria sido tomada a partir de pedidos de alguns ecologistas, a fim de preserver a grama.
No dia 11 de novembro, quando fez um pronunciamento ao plenário da Câmara Municipal para publicizar o assunto, Bosco afirmou que "as crianças agora têm de brincar, jogar futebol e andar de bicicleta na areia, para que a grama possa ser preservada".
Lembrou ainda que, em qualquer local do mundo, os gramados dos parques são utilizados para o lazer.
Bosco disse que teve oportunidade de conversar sobre o assunto com a secretária de governo do município, Helena Bonumá, e que esta teria concordado com a impropriedade da medida. "De qual cabeça iluminada terá saído essa idéia?", questionou o vereador, acrescentando ter certeza de que "isso é coisa de gente que não gosta de atender vereadores e nem de marcar audiências, colocando-se acima até mesmo do próprio prefeito".
Considerando a medida absurda e autoritária, o vereador ressaltou que os parques são os locais mais privilegiados e democráticos de uma sociedade. "Em boa hora o prefeito João Verle decidiu que deverá fazer uma reforma em seu secretariado."
O líder do PT na Câmara Municipal, Marcelo Danéris explicou que a colocação de toras de madeira nos gramados do Parque Farroupiplha (Redenção) foi realizada porque as áreas verdes estavam sendo destruídas pela prática constante de jogos de futebol nos locais.
"A iniciativa da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) se deu a pedido dos moradores do entorno e freqüentadores do parque, que buscaram a prevervação dos gramados", reforçou.
O vereador disse, ainda, que essa foi a forma encontrada para evitar que times completos de futebol disputassem até torneios no local, o que acabou transformando os gramados em áreas de areião.
"Agora, como os gramados já estão quase que, totalmente, recuperados, a Smam deverá promover a redução da cerca de toras", garantiu.
O responsável pela administração do parque Farroupilha, o engenheiro agrônomo Clóvis Breda, rebateu as críticas feitas pelo vereador João Bosco Vaz (PDT) sobre a proibição do uso dos gramados da Redenção para a prática de esportes.
Conforme Breda, ele apenas está cumprindo o que determina a legislação, além da solicitação ter partido da própria comunidade que participa ativamente das discussões dos problemas no entorno do parque, através do Conselho de Usuários do Parque Farroupilha, em decisão retomada e mantida na última reunião, realizada no dia 14 de novembro.
"Como administrador público, tenho a obrigação de cumprir e fazer cumprir a legislação elaborada e/ou aprovada pelo legislativo.
Estranha-me, portanto que o vereador critique quem faz com que a lei seja aplicada sem sugerir sua alteração".
Breda lembra que a Lei 12/75, no seu artigo 18, que estabelece proibições nos logradouros públicos, no inciso XXI, afirma que "é vedada a utilização dos logradouros públicos para a prática de jogos ou desportos, fora dos locais determinados em praças ou parques; exclui-se da proibição a realização de competições esportivas, desde que com local ou itinerários predeterminados e autorizados pelo Município."
O administrador do parque também destacou a existência de um decreto que regulamenta os Parques Municipais, que no seu artigo 4, inciso II, proíbe que os usuários nos parques municipais "desenvolvam atividades recreativas e esportivas em locais não destinados para tal fim."
A instalação de obstáculos nos gramados do eixo central ocorreu em março de 2000, portanto há quase três anos, e de acordo com Breda foi motivada pela comunidade em razão dos constantes acidentes e desentendimentos entre jogadores e não jogadores atingidos por bolas arremessadas em grande impacto. "Apesar dos danos causados aos gramados, não foi esse o fato determinante para a instalação dos obstáculos, nem foram os ecologistas, como afirmou o vereador, foi sim o apelo pela segurança feito por cidadãos, em sua maioria idosos, que sentiam-se ameaçados".
Breda ainda reforça a existência de áreas específicas para a prática de esportes, no complexo do Ramiro Souto, dentro do Parque Farroupilha.
"São quatro campos de futebol sete, um campo de futebol oficial, uma cancha de areia e três canchas de futsal".
Breda, finalmente, "afirma que "algumas cabeças da administração municipal" compõem o Conselho de Usuários do Parque Farroupilha".
Respondendo, ainda, à indagação: "De qual cabeça iluminada terá saído essa idéia?" ele afirma qua a proposta foi da atual administração do Parque Farroupilha e que o vereador foi procurado para debater o assunto, a fim de discutir o tema em uma reunião do Conselho de Usuários.
"Infelizmente, tive como resposta de sua assessoria que somente trataria disso com a Secretaria do SMAM ou através de rádios e jornais".
A administração do Parque Farroupilha, segundo Breda, "tem a tranqüilidade para assumir de forma transparente todos seus atos e não pode admitir que, com meias verdades, criem-se argumentos para disputas políticas.
Aceitamos de cabeça erguida críticas e elogios, do mesmo modo que reconhecemos os erros e buscamos sua correção".
Ele salientou que tanto o atual, como os ex-secretários da SMAM, têm conhecimento das intervenções propostas e executadas no Parque Farroupilha.