Cachorros soltos incomodam usuários de praça na Capital
Apesar de não fazer qualquer referência específica ao Parque Farroupilha, esta matéria foi colocada no site por tratar de um assunto comum a todos os parques.
Manhã de domingo, Praça Carlos Simão Arnt (também conhecida por Encol), bairro Bela Vista, um dos mais nobres de Porto Alegre: oito mulheres fazem exercícios de respiração da ioga, olhos fechados, concentradas.
Três cães dálmatas, três labradores e dois galgos saltitam nas imediações, soltos, longe da guia dos donos. Um deles invade a área da ioga, abanando o rabo, interrompendo a meditação de Carla Limongi, orientadora de adolescentes.
A mulher se levanta, contrariada:
- Não é que seja contra os cachorros, mas não posso relaxar e me concentrar - reclama Carla.
Não chega a ser um conflito, mas freqüentadores da Praça da Encol estão incomodados com cães soltos nos gramados.
No dia 2, a psicóloga Ana Maria Rossi precisou interromper as aulas de ioga devido à intrusão canina.
Ontem, o assédio foi menor, mas houve três invasões, enquanto os donos dos animais conversavam à sombra.
- Sei que eles são mansos, não vão nos morder, mas atrapalham.
Como são de grande porte, temo que um deles pise em alguma de nós, possa causar algum ferimento - observa Ana Maria Rossi, que faz o programa Yoga (a grafia preferida pelos adeptos) na Praça desde 1990.
Cães fora da guia podem importunar.
Na Encol, um labrador urinou numa árvore, quase atingindo a camisa de uma pessoa que estava recostada ao tronco, sentada à grama.
Outros tomam água nos bebedores públicos (foto).
Um freqüentador, que passeava com uma cachorrinha pintcher na guia, molestou-se com um labrador.
Como o cachorrão queria namorar a pequena, ele ergueu o animalzinho nos braços.
Ao ser seguido pelo labrador, irritou-se:
- Sai, sai, fora...
Os proprietários dos animais que corriam soltos na Encol, administrada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), se justificam.
O empresário Orlando Brasil, 54 anos, diz que os seus dois galgos russos da raça Borzoi são dóceis, queriam apenas espichar as longas pernas.
Brasil sugere a delimitação de áreas, com espaço para cães.
A médica Mariana Dagnino, 28 anos, ressalta que os três dálmatas da família precisam de exercícios.
Depois de ficar confinados em pátios ou apartamentos, anseiam por correr, encontrar os vizinhos caninos.
Dono de um labrador, o empresário Sergei Silva, 35 anos, acha que o problema é da cidade toda.
Cães devem ter coleira e guia nas ruas
O Código Municipal de Saúde e o Regulamento dos Parques ditam, em Porto Alegre, as regras para a condução de animais em espaços públicos.
Segundo o código, todos os cães, independentemente de tamanho ou raça, devem estar na guia.
Animais mordedores também precisam de focinheira para circular nos parques, nas praças e nas ruas da Capital.
Quem não respeitar a norma está sujeito a multa de até 831,467 UFMs (Unidade Financeira Municipal), o que equivale a cerca de R$ 1,3 mil.
- Todos os fiscais da prefeitura estão orientados a educar os freqüentadores do parque.
Se não resolver, temos um convênio com a Brigada Militar para que sejam tomadas as medidas cabíveis - afirma Simone Mirapalhete, diretora da Divisão de Administração de Parques da Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Simone informou que a Capital tem 29 guardas-parque.
O usuário que se sentir ameaçado por cães deve ligar para a divisão de fiscalização da Smam.
Uma equipe volante deverá ser acionada.
Para a presidente da Associação dos Proprietários de Pequenos Animais (Appa), Taís van Ondheusden, a solução definitiva para o impasse seria a criação de áreas específicas para os animais.
Neste locais, que segundo Taís são comuns em parques de Buenos Aires, na Argentina, os cães ficam soltos em uma área cercada, isolados dos demais usuários.