A indigência no bairro
Nos últimos meses, a população do Bom Fim tem observado o aumento do número de moradores de rua no Bairro. Muitos deles vivem como nômades, sob as marquises de prédios residenciais ou comerciais, outros abrigam-se nas fendas existentes no lado externo do Auditório Araújo Vianna, ou se acomodam em nichos e recantos existentes no interior do Parque Farroupilha.
Moradores e comerciantes, reclamam do fato de não estar havendo qualquer ação do poder público municipal ou estadual, objetivando dar condições mais dignas a essas pessoas, muitas das quais vítimas do alcoolismo e outras doenças. Alguns desses cidadãos, cita um comerciante estabelecido na Avenida Osvaldo Aranha, tem atitudes agressivas, como o é o caso da “Cida”, já conhecida da comunidade há diversos anos e que perambula pelas ruas cercada de sacolas com objetos que recolhe dos lixos ou ganha de alguns moradores penalizados com o seu estado de indigência e abandono.
Cida chegou ao Bom Fim no começo da década de 80, e ganhou as ruas após ter passado pelas provações da conhecida noite do Bairro. Por muito tempo, a convivência com a comunidade foi pacífica, entretanto, atualmente, ela tem demonstrado um certo descontrole. Muitas vezes joga o café, que ganha em lancherias, nas pessoas e nas vitrines das lojas, causando incômodo. “Ela não tem mais discernimento do que é certo ou errado”, comenta um morador, que sente-se inconformado com o fato da Fundação Para a Assistência Social e Comunitária (Fasc), órgão da prefeitura municipal, não a recolher das ruas, dando-lhe tratamento adequado e perspectivas de melhores condições de vida. “Dizem que ela não quer sair da rua e por isso não podem tira-la, mas isso não é argumento, quando a pessoa não tem consciência da situação de indigência em que vive”, desabafa.
Assim como ela, outros vivem em situação semelhante. Alguns já morreram, inclusive, como o Feijão, um negro forte que viveu anos sob a marquise do Araújo Vianna. Lavador e guardador de carros, ele tinha a simpatia dos moradores das imediações das Ruas João Teles e Cauduro, onde fixava o seu ponto.
Recentemente um casal tem sido visto com freqüência nas ruas do bairro. Geralmente alcoolizados, cantam músicas sertanejas e, as vezes, quando o estado de embriaguez chega ao seu limite, discutem com as pessoas e ficam ao relento nas calçadas. Ainda é citada pelos depoimentos de moradores outra senhora, aparentando mais de 50 anos e também uma senhora gorda, mais jovem, que agridem com pedaços de madeira pedestres nas proximidades do Parque Farroupilha. Até o fechamento dessa edição, procurada para explicar os trabalhos que desenvolve na Região, os representantes da Fasc não retornaram o contato. O mesmo ocorre com o Conselho Tutelar, inoperante no bairro, fato que pode ser constatado, ao entardecer, principalmente nas proximidades dos supermercados da Região, quando crianças, geralmente comandadas por algum maior, pedem esmolas, cuidam carros, sem o menor auxílio do poder publico ou das entidades competentes.
Problemas na José Bonifácio e Santa Teresinha
Um documento com cerca de trinta assinaturas, encaminhado à Associação dos Amigos do Bairro Bom Fim por freqüentadores do Parque Farroupilha, moradores e comerciantes estabelecidos na Avenida José Bonifácio confirmam a falta de políticas públicas eficientes com vistas a dar atendimento aos moradores de rua da Redenção e das imediações dos bairros Bom Fim e Farroupilha. Eles manifestam a sua profunda indignação e revolta com a violência e o constrangimento ao qual estão sendo submetidos por duas moradoras de rua que habitam o interior da Redenção. Conforme a denúncia encaminhada, uma delas, que vive próximo ao Araújo Vianna, faz as suas necessidades fisiológicas a vista de todos, coloca fogo em lixeira e tem ligação com traficantes que agem no local. Outra, com “freqüentes surtos” agride violentamente com pedradas e pauladas as pessoas que transitam pelo interior do parque, bem como danificam lojas localizadas na Mercado do Bom Fim.
Os denunciantes ainda relatam a existência de um outro grupo de homens, todos alcoólatras, que passam o dia todo nos bancos situados nas proximidades do novo sanitário público do parque, “muitas vezes com companheiras em verdadeiras orgias sexuais, cachorros soltos das guias que avançam nos pedestres”, referem pedindo que os mesmos sejam removidos, para receberem tratamento adequado em instituições, sem que lhes falte qualquer garantia aos direitos humanos. Outro caso, descrito pelos moradores do bairro, dá conta de um indigente que habita o interior de uma cabine telefônica em frente ao Hospital de Pronto Socorro, cujo aparelho está danificado e fora de funcionamento.