68 anos do Parque Farroupilha marca início da Semana da Primavera
Os 68 anos do Parque Farroupilha foram comemorados com muita festa no último dia 19 de setembro quando, na abertura da 13ª Semana da Primavera, a comunidade e o poder público realizaram uma série de atividades voltadas a destacar a data.
Com o objetivo estimular o convívio do porto-alegrense com os seus parques, praças e demais áreas verdes da cidade, no início da estação das flores, o tema escolhido para a semana que marcou o início da Primavera 2003 procurou enfatizar a beleza desta época do ano: “Porto Alegre, Flores e Cores – Capital do Bem Viver”.
Às 16 hs, os freqüentadores receberam de presente um bolo de 440 quilos e 68 metros de comprimento (número igual à idade do parque), armado ao longo do espelho d’água, próximo ao estacionamento localizado junto a avenida Setembrina.
No mesmo horário, ocorreu, ainda, a Exposição dos Carros da Festa do Ridículo, perto do Café do Lago.
O parque é contornado pelas avenidas João Pessoa, José Bonifácio, Osvaldo Aranha e ruas Setembrina e Eng. Luís Englert, no Bairro Farroupilha, mas faz, também, fronteira com os bairros Bom Fim, Centro e Cidade Baixa.
Isso faz com que os cuidados com a principal área verde localizada na região central da Cidade sejam amplamente cobrados por parte de moradores e freqüentadores.
Em razão disso, foi criado o Conselho de Usuários do Parque Farroupilha e, ainda, uma Comissão Mista de Gerenciamento dos Problemas do Entorno do Parque.
Em reuniões periódicas, diversos representantes de entidades buscam soluções para conflitos e planejam ações conjuntas que objetivam a melhoria da convivência entre moradores dos bairros vizinhos, freqüentadores, bem como a manutenção dos espaços públicos, monumentos e recantos naturais ali localizados.
No Parque, ainda está situado o Auditório Araújo Viana, inaugurado em 1964, com capacidade para acomodar 4.500 pessoas sentadas, onde são realizados, periodicamente, eventos culturais.
Aos sábados, o Parque começa a receber um volume maior de público, que visita a tradicional Feira Ecológica, ao longo da Avenida José Bonifácio, onde são comercializados produtos integrais, verduras sem agrotóxicos e muitas variedades de puro mel e outras delícias da culinária natural.
Já aos domingos, no mesmo local, o tradicional Brique da Redenção, uma espécie de versão porto-alegrense do Marche aux Púces, de Paris e da Feira de San Telmo, de Buenos Aires, ganha vida transformando o cenário do Parque e dos bairros lindeiros.
Mais de 50 mil pessoas circulam pelo Brique nos domingos ensolarados.
Além das antiguidades que deram início ao Brique com a chamada “Feira das Pulgas”, o espaço mantém em seu prolongamento, a Feira de Artesanato e o “Artenapraça”, uma verdadeira galeria ao ar livre, onde mais de 300 bancas expõem peças de artesanato e artes plásticas.
O Brique é, também, tradicional ponto de manifestações políticas e culturais onde a música, o teatro, a dança, sempre encontram fiéis apreciadores.
Enfim, no Parque é possível unir de forma plena interesses dos mais diversos.
Apreciadores da natureza, da cultura, do esporte, do lazer, todos irmanados por um amor dedicado a maior área verde da região Central de Porto Alegre, considerado, recentemente, em pesquisas de opinião como o espaço mais lembrado pelos cidadãos depois da sua própria casa.
O parque também conta com 45 valiosos monumentos em cobre e mármore presenteados por vários países e instalados em sua área, onde destaca-se a fonte luminosa, produzida em Nova Iorque e inaugurada em 1935 e o Monumento do Expedicionário, de autoria de Antônio Caringi, inaugurado em 1953, representando um duplo arco do Triunfo com esculturas em relevo que homenageiam os pracinhas da Segunda Grande Guerra.
Outros atrativos do Parque são o orquidário, o lago com pedalinhos,o trenzinho turístico, o mini-zoológico, os cinco playgrounds, o mini-parque de diversões infantis e os belos recantos solar, europeu, oriental e alpino.
Para os desportistas, as opções são variadas. Podem jogar futebol, bocha, alugar bicicletas, testar a resistência física na melhor pista pública de atletismo da cidade ou nos aparelhos de ginástica instalados no Parque Ramiro Souto.
Com uma história que começa em 1807, o espaço ocupado hoje pelo Parque Farroupilha, também conhecido como Parque da Redenção, revela, na memória dos porto-alegrenses, o processo de incorporação e progresso ocorrido no Bairro Bom Fim ao longo dos anos.
No entanto, o próprio Parque ensejou a criação de um bairro com o seu nome, o próprio Bairro Farroupilha, cujos moradores se orgulham da responsabilidade que tem representar comunidade com tão importante características.
A área original, doada pelo então governador da Província de São Pedro, Paulo da Silva Gama, sob pedido da Câmara, chamada na época de “Campos da Várzea do Portão”, servia como ponto de acampamento de carreteiros e descanso de tropeiros que traziam o gado para o matadouro da cidade, então localizado na área hoje conhecida como Praça Garibaldi.
Em 1870 lhe foi conferida a denominação de “Campo do Bom Fim”, dada a importância que a capela do Senhor do Bom Fim assumiu participando da maior festa popular da cidade, a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes.
Em 1884, para solenizar o vigoroso movimento popular de libertação dos escravos, passou a ser chamado “Campo da Redenção” e, finalmente no ano de 1935, por ocasião das comemorações do Centenário da Revolução Farroupilha, coube-lhe atual denominação.
Ao todo, atualmente são 370.000 metros quadrados. O parque oferece um irresistível passeio entre as árvores centenárias e espécies nativas do Rio Grande do Sul e do Brasil, sobretudo durante a primavera, quando os ipês roxos e amarelos sublimam a paisagem do local.
Infelizmente nem tudo é festa para o Parque Farroupilha.
A exemplo do que ocorreu em março desse ano, quando várias placas foram furtadas dos monumentos localizados no seu interior, vândalos voltaram a agir na madrugada do dia 24 de setembro, destruindo completamente a fonte de cerâmica localizada dentro do Minizôo.
A peça, que reproduzia os peixes existentes em outra fonte da capital, a Talaveira, situada em frente a prefeitura da Capital, havia sido restaurada a menos de dois anos por um artista voluntário que atua junto ao ateliê livre do Centro Municipal de Cultura.
O Conselho de Usuários do Parque reclama a falta de interesse da Secretaria do Meio Ambiente e da prefeitura.
Ainda no início do ano, após o roubo em massa de placas de bronze retirados dos monumentos, um dossiê da situação com a solicitação de medidas para coibir a ação de vândalos foi enviado diretamente ao Prefeito João Verle.
Entretanto, segundo os conselheiros, até hoje, passados mais de seis meses, nenhuma resposta foi recebida.
Segundo o administrador do Parque Farroupilha, Clóvis Breda, também foi necessária a retirada do busto de Luis Englert, fixado nas proximidades da Avenida que leva o mesmo nome.
“A placa já havia sido furtada em março e agora tentavam levar o busto que também é feito de Bronze”, afirmou Breda.
A falta de segurança dos monumentos está gerando uma reação de instituições e de familiares das pessoas homenageadas com bustos e efígies localizadas no Parque Farroupilha.
Um pedido oficial, encaminhado pela Fundação Asilo Padre Cacique à secretaria municipal do Meio Ambiente (Smam) está solicitando a autorização para a retirada do monumento do Padre Cacique, localizado no Parque, no lado da Avenida Osvaldo Aranha, quase em frente a rua Santo Antonio.
Segundo Breda, em contato com mantido com um neto de Luis Englert, o museu mantido pela família já pensa em tomar igual medida.
Breda entende que a ação é de puro vandalismo, mas pode ter um fator de represália pela retirada do Busto antes que ele fosse furtado.
Ele comenta que as luminárias externas do novo banheiro, inaugurado no dia 18 de setembro, na lateral do parque que fica para a Avenida José Bonifácio, já foram furtadas. “Em menos de uma semana mais da metade já foram roubadas”, disse Breda.
O administrador chega a conclusão de que qualquer investimento de restauração de monumentos “é dinheiro colocado fora”.
O chafariz do minizôo é um exemplo disso, destaca. “Um esforço todo para recupera-lo e em alguns minutos vira em nada”, lamentou.