Parque Farroupilha (Redenção)

O parque na Imprensa


O parque cercado   

Crônica de Paulo Santana publicada na Zero Hora, dia 19 de novembro, página 55.

O gaúcho George T. de Noronha residiu 56 anos em nosso Estado e depois se transferiu para o Rio Grande do Norte, morando atualmente na cidade de Natal.
Ele me manda mais de 30 fotos de recantos do Parque Estadual das Dunas, na capital potiguar.
E eu afirmo que estou extasiado com aquele lugar público, aberto todos os dias, com exceção das segundas-feiras, aos visitantes.
A conservação dos equipamentos e a beleza da vegetação apinhada de flores, os locais destinados aos animais, as oficinas de artesanato e artes, as áreas próprias para descanso, as trilhas para as caminhadas, aquele paraíso de ecologia e humanidade à disposição da população e dos turistas, encravado em uma capital.

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Desde que me iniciei como vereador em Porto Alegre, em 1972, prego o cercamento do Parque Farroupilha, a nossa Redenção.
Assisto agora a essa estupenda coleção de fotos do Parque das Dunas, em Natal, invejoso dos potiguares e com um remorso amargo por nunca ter sido acolhida minha idéia por aqui.
Verdade que as características do Parque das Dunas de Natal e do nosso Parque Farroupilha são diferentes. A Redenção tem cerca de 20 hectares, enquanto o Parque das Dunas possui mais de 1.000 hectares.
Mas o núcleo da minha idéia, de que se deve cercar os parques para poder abri-los estuantes ao povo, reforça-se ainda mais quando fico sabendo de como este segundo parque brasileiro, somente superado pela Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, funciona e mantém-se cheios de atrativos para a população potiguar.

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Tanto a Floresta da Tijuca quanto o Parque das Dunas são cercados. No Parque das Dunas, é total a segurança das pessoas, as crianças, os idosos podem transitar livremente por toda a extensão do parque sem jamais temerem qualquer ataque. As pessoas ostentam suas jóias, relógios etc., sem o mínimo receio de serem assaltadas.
E é interessante que no centro do Parque das Dunas está instalado um quartel da Polícia Militar, que sedia um pelotão ambiental.

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Durante muito tempo, como vereador e como cronista, tentei inutilmente pregar aqui em Porto Alegre que não há parque que resista ao vandalismo e à ação nefasta dos marginais se permanecer aberto durante a noite.
É à noite que os parques são vandalizados e seus equipamentos totalmente avariados.
Sempre acentuei que o Parque Farroupilha tinha de ser cercado, com apenas quatro portões de acesso, um porteiro e um policial em cada uma das entradas. Para que fique solenizado ao freqüentador, desde sua entrada, que aquele é um lugar vigiado, onde qualquer conduta inconveniente sua será responsabilizada.
Vejo agora que este é exatamente o sistema do exuberante parque de Natal. Ele abre às 08h e fecha às 18h.
É muito difícil e quase impossível botar nas cabeças das pessoas responsáveis aqui em Porto Alegre de que os parques têm de ser fechados à noite. Não há nada que se possa fazer num parque à noite. Ou melhor, tudo que se fizer num parque à noite será para danificá-lo ou para atentar contra a vida ou à integridade das pessoas em seu interior.

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Deliciam-me os olhos as fotos magníficas dos recantos do Parque das Dunas em Natal.
É um desses lugares, ao contrário do que acontece aqui em Porto Alegre, em que os habitantes. nos fins de semana e no feriadões, deixam de se afligir por sair da cidade: querem permanecer nela, correm inspirados para seus locais atraentes.
Não pode ser uma saudável cidade aquela, como a nossa, em que como loucos os seus habitantes se enfileiram nas estradas de saída para fugir dela, mal têm dois ou três dias de folga em seu trabalho.
O que eu sempre idealizei é que nos feriadões os porto-alegrenses fossem sôfregos curtir os locais de descanso e lazer da sua própria cidade.
Mas nunca fui entendido nesta idéia de cercamento dos parques.
E o fenômeno marcante desta Porto Alegre que nunca se aparelhou para receber seus próprios moradores em recantos hospitaleiros é que, se se proporciona um feriadão, todos se jogam a fugir depressa da cidade.
Como se fossem obrigados a morar num inferno.
Inferno de parques ilusoriamente abertos.
Mas fechados, por inóspitos, ao público.

psantana.colunistas@zerohora.com.br


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