Parques são fundamentais
Eu me preocupo com a conservação dos parques e com a segurança no interior deles porque há muito percebo que eles se tornam a grande alternativa de lazer e de prazer das pessoas nas grandes cidades.
Não é possível que as pessoas que vivem nas cidades tenham como única opção viável para fugir do estresse e da ansiedade o refúgio dos shoppings.
Os parques são a grande saída saudável para a solidão e a depressão das habitações constrangidas em que vivem as multidões nas grandes cidades.
Por isso é que os governos têm de investir nos parques. Eles são a única ilha de natureza que pode ser usufruída nas cidades.
Só que entre nós há um desestímulo atroz para o investimento governamental nos parques: à noite eles são completamente depredados e vandalizados pelos marginais.
À noite não há o que se fazer no parque, a não ser cultivar uma má conduta.
Por isso é que os parques têm de ser fechados à noite para que possam ser abertos durante o dia com seus recantos e equipamentos íntegros, livres das depredações e de toda a sorte de destruições noturnas.
Ultimamente se tem verificado de forma bem nítida e acentuada a obsessão das criaturas citadinas por acorrer aos parques.
Em sábados e domingos de sol há uma verdadeira corrida aos parques, todas as ruas situadas no entorno do Parque Farroupilha ficam completamente congestionadas de carros e de pessoas.
E quanto maior for a crise financeira por que passam as pessoas, maior será a demanda por parques na cidade, a mais barata de todas as diversões, a mais acessível fonte de lazer e plataforma de atividade física que uma cidade pode oferecer.
Ninguém mais possui recursos para encher seu tanque de gasolina e ir para a praia ou para o campo e serra em todos os fins de semana.
E a redução dos parques ou seu sucateamento vai criando em uma cidade uma tal tensão entre seus moradores, que acaba redundando em várias explosões emocionais de desagradáveis ou desastradas conseqüências para a voltagem social.
Eu me atrevo a dizer que qualquer partido político que pregar a criação de mais parques de lazer aqui em Porto Alegre, assim como medidas de preservação dos parques existentes, entre elas o fundamental cercamento dessas áreas, fatalmente ganhará nas urnas, nos próximos mandatos, o direito de governar a cidade.
Porque uma população entregue somente a ficar encerrada dentro de seus apartamentos, na louca tarefa de apenas ver televisão, terá seus nervos explodidos.
É preciso que os governantes das grandes cidades criem cada vez mais locais de passeio para os pedestres, com árvores e gramados, com áreas destinadas aos cães, com ciclovias, com parques de diversões infantis, para derrubar o ócio e o estresse de seus cidadãos.
Uma bela iniciativa nesse sentido foi a instituição da visitação ao Parque Estadual de Itapuã.
Pena que, para evitar-se a degradação desse parque, poucas centenas de pessoas possam visitá-lo nos fins de semana.
Os governos precisam imediatamente criar dezenas desses parques aqui na cidade, na direção de Belém Novo e Belém Velho.
Parques de piqueniques, com churrasqueiras públicas debaixo das árvores, com aparelhos para diversão infantil, bem assim como se vê no zoológico e no Parque de Itapuã.
É dever do poder público tornar a vida dos cidadãos mais agradável nas cidades. E não há forma de se alegrar mais as pessoas e afastá-las dos perigos das doenças físicas e emocionais do que dotar as cidades de parques.
Eles são o tesouro dessa civilização maltratada pelas grandes concentrações urbanas.
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