Parque Farroupilha (Redenção)

O parque na Imprensa


Queima da Bandeira Nacional provoca revolta
Freqüentadores da Redenção partiram em defesa do símbolo brasileiro e enfrentaram um grupo de punks

Matéria e Fotos publicadas na Zero Hora de 04 de agosto de 2003, página 21.

Manifestação

Uma bandeira do Brasil queimada na tarde de ontem, no Parque Farroupilha, em Porto Alegre, transformou em tumulto um protesto de punks e homossexuais contra a intolerância sexual e racial.
Indignados com a atitude dos manifestantes, freqüentadores do parque partiram em defesa do símbolo nacional, enfrentando os punks e obrigando a Brigada Militar a intervir para evitar um confronto.
Motivado por ataques de grupos de skinheads contra homossexuais e punks, o protesto transcorria pacificamente sob os arcos do Monumento ao Expedicionário até a queima da bandeira. Os ativistas do grupo Nuances, que tiveram cartazes alusivos à parada gay pichados, e os punks, que têm sido agredidos por grupos supostamente neonazistas, desfilavam com cartazes contra o fascismo e os grupos neonazistas e encenavam esquetes contra a violência.
No final da manifestação, um grupo de punks pintou uma suástica (símbolo nazista) em uma bandeira brasileira e ateou fogo. A atitude desagradou ao assistente de telecomunicações Eloir Silva dos Santos, 54 anos, que passeava pelo parque. Ele discutiu asperamente com os manifestantes.
- Nós não somos contra homossexuais, punks ou gays. Mas, se começam uma manifestação queimando o símbolo da Pátria, estão errados e eu fico indignado - afirmou Santos.
Queimar a Bandeira Nacional é crime
O bate-boca só não resultou em troca de agressões devido à rápida intervenção da Brigada Militar. Quatro soldados - dois deles a cavalo e um em uma moto - tentaram dispersar os manifestantes. Um clarão se abriu em meio a centenas de pessoas que acompanhavam a manifestação. Garrafas de plástico e até uma vassoura foram arremessadas contra os policiais, que viraram alvo da indignação dos punks. Dez minutos depois, os ânimos se acalmaram.
- Queimando a bandeira, estamos apenas mostrando nosso descontentamento com a discriminação desta sociedade - afirmou um dos punks.
Os homossexuais que participavam do protesto consideraram a queima da bandeira como um ato intempestivo por parte dos punks.
- Fizemos um protesto pacífico, apenas para mostrar nossa indignação com a intolerância sexual. Isso (queima da bandeira) não estava previsto - explica Marcelly Malta, da Associação dos Travestis e Homossexuais do Rio Grande do Sul.
Desrespeitar a Bandeira Nacional é crime. Segundo o capitão Diogo Lopes, oficial de serviço do 4º Regimento de Polícia Montada (RPMon) da Brigada Militar, que policiava a Redenção ontem, não foi possível identificar quem ateou o fogo.
( marcelo.barbosa@zerohora.com.br )

"Fiquei muito indignado ao ver a bandeira queimando"

Reação Natural de Pelotas, o assistente de telecomunicações Eloir Silva dos Santos, 54 anos, ficou paralisado pela indignação ao ver a Bandeira Nacional queimando justamente no parque no qual passa os seus domingos. Casado, com um filho de 20 anos, Eloir considera a Redenção o espaço mais democrático da Capital, mas que não serve para que a Pátria seja desrespeitada. Abaixo, ele conta por que reagiu ao ver as chamas consumindo o símbolo nacional.
"Quando vi a bandeira queimando, senti como se eu mesmo estivesse sendo queimado. Fiquei muito indignado. Aquele é o símbolo do país. Aquilo foi um insulto à nação brasileira. É como se queimassem o povo. Não consegui ficar parado. Comecei a protestar sozinho, mas depois outras pessoas me acompanharam e me cumprimentaram. Também sentiram o que senti.
Acho que todo mundo é livre para se manifestar. Quero deixar claro que não sou contra punks ou homossexuais. Até estava achando bonito o protesto. Mas, se eles querem mudar alguma coisa, não pode ser desta forma. Hoje queimam a bandeira. Amanhã, se quiserem, queimam pessoas, como fizeram com aquele índio em Brasília.
Eu me orgulho ao ver os jogadores brasileiros enrolados na bandeira depois de uma vitória. Hoje, tive de me enrolar em uma bandeira queimada para mostrar o que estavam fazendo. Por isso, me emocionei tanto. Depois de tudo calmo, veio um rapaz punk e disse que era só um símbolo. Mas que queimem qualquer símbolo, menos a Bandeira Nacional. Sempre me indignei com estas coisas, como quando atacaram o relógio dos 500 anos. Sempre vou reagir. Sou uma pessoa preocupada com o país, com o povo. Participei das campanhas do agasalho e contra a fome. Sou patriota e ensinei isso a meu filho, que está estudando Direito para tentar fazer algo pelo país."





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