Parque Farroupilha necessita de revitalização
Mais conhecido como "Redenção", o Parque Farroupilha faz parte da história dos gaúchos. Diariamente, centenas de pessoas andam por entre as árvores, fazendo jogging ou ginástica,
levam seus filhos para brincar nas pracinhas ou simplesmente aproveitam a beleza do lugar para conversar. São atitudes cotidianas que tornam o parque mais querido pelos portoalegrenses.
Apesar do reconhecimento, a maioria dos usuários não esconde o descontentamento com a má conservação do local. Jader Farias, aposentado e freqüentador do local há mais de 18 anos, mostra-se revoltado com a situação e reinvidica mudanças.
Principais reclamações
São variadas as críticas a respeito da manutenção e conservação do local. A primeira a ser lembrada está relacionada aos banheiros públicos (situação denunciada mês passado pelo Jornal do Centro). "Eles estão em péssimo estado de conservação e são mau cartão de visita aos turistas e visitantes", acredita Jader Farias.
A calçada do passeio do Lago dos Espelhos também recebe destaque: "É impossível que não se veja a necessidade de consertar o passeio existente nas laterais do famoso Lago dos Espelhos.
Quando chove, fica um festival de poças de água. Usuários antigos dizem, inclusive, que as lajotas são do tempo do Cinema Mudo" defende.
O aposentado observa que, às vésperas de mais um verão intenso, três bebedouros são insuficientes em relação à quantidade de transeuntes. Os cachorros têm mostrado outra problemática: muitos ficam soltos pelo parque, contrariando a lei existente,
sem que haja qualquer intervenção de guardas. Da mesma forma, os ciclistas que passam, muitas vezes em alta velocidade, não sofrem qualquer repreensão.
O vandalismo e o desrespeito ao monumentos do parque (tombado como Patrimônio Histórico em 1997) deixam marcas.
"O chafariz central está sempre com a mesma água, servindo de tanque de lavagem de roupas ou local para banho de pessoas ou animais", critica Jader. E alerta:
"Essas águas paradas ainda podem servir de foco do mosquito da dengue."
O que diz o administrador
Clóvis Breda, engenheiro agrônomo, é administrador geral da Redenção há pouco mais de 3 anos.
Nesse tempo, descobriu as dificuldades de supervisionar e gerenciar um parque com as dimensões do Farroupilha, aberto aos públicos mais diversos.
Para Breda, a situação no parque ainda não é ideal, mas está definitivamente melhor do que há sete anos atrás. "Todos os recantos estão em condição de uso.
Não estão 100%, mas se deve levar em conta que estamos fazendo algo difícil: recuperar e manter um espaço público em boas condições". Segundo ele, há PM's da Brigada Militar circulando durante 24 horas por dia.
Uma conquista dos próprios usuários, que reivindicaram mais segurança. Atualmente, há o "Conselho de Usuários do Parque", que se reúne mensalmente para debater as ações a serem feitas.
Ainda sobre o assunto, afirma que há em média 15 ocorrências por mês, sendo que 70% delas estão relacionadas ao tráfico e ao uso de drogas.
"São delitos que atingem o cidadão, mas não causam prejuízos diretos a ele".
Sobre os banheiros, diz que já estão sendo tomadas as providências "O que estamos fazendo desde o ano passado é a elaboração de projetos e busca de recursos".
Dos três módulos existentes atualmente, dois serão destruídos, para a construção de outros dois. "Um já está em obras, o outro tem projeto pronto".
Desde 1996, estaria sendo posto em prática o Projeto de Revitalização do Parque.
Primeiramente, os recantos foram reformados, pois encontravam-se praticamente abandonados.
Onde antes ficava um depósito de bicicletas, hoje existe um Bar Café.
Além dos banheiros, muitos outros projetos novos deverão ser implementados.
Há o desejo de adequar o comércio ambulante (há noventa pontos regulamentados), retirando os tonéis (principalmente de venda de bebidas) que não fucionam durante a semana.
"Essa ação melhorará muito o problema de poluição visual".
Também se pretende instalar novos coletores de lixo, abrir uma Sorveteria (no mesmo estilo do Bar Café), fazer a reconstrução da cancha multiesportiva, além de investir em equipamentos, como cortadores de grama e tratores.
Sobre os cachorros, o administrador defende que a lei não permite ações enérgicas, "pois não dispõe quais são as raças específicas que não podem ficar em espaços públicos".
Em relação aos ciclistas, os guardas-parques atêm-se a chamar atenção para a alta velocidade.
"Sem o serviço de locação de bicicletas, não há muitos conflitos", defende Clóvis.
Ao contrário do que afirma Jader Farias, ele diz que há seis bebedouros espalhados na região.
Em relação ao uso para banho dos monumentos, admite que a fiscalização é difícil.
"Vêm, freqüentemente, visitantes da Vila Bom Jesus e da Lomba do Pinheiro, por exemplo, tomar banho no Lago.
Moradores de rua também não são impedidos de entrar no parque.
A nossa preocupação maior, então, é a qualidade da água e ela não oferece nenhum risco à vida das pessoas.
O controle também não permite que haja focos da dengue.