Parque Farroupilha (Redenção)

O parque na Imprensa

Araujo: da retreta ao megawatt

Notícia e foto publicadas na Revista de Bordo do Seletivo Lotação - Ano 2 - Número 6 - junho/2001 - Página 34

Desde quando era localizado na Praça da Matriz, o Auditório Araujo Vianna tem abrigado importantes passagens da história de Porto Alegre. Hoje, no Parque da Redenção, é utilizado para as mais variadas formas de manifestações, artísticas, culturais ou políticas.

Auditório

A página sete do jornal Diário de Notícias de 19 de novembro de 1927, trazia o anúncio da inauguração de um auditório ao lado da Praça da Matriz, próximo à Catedral Metropolitana, em terreno onde hoje situa-se o prédio da Assembléia Legislativa do Estado. Com capacidade para acomodar 1.200 pessoas a céu aberto, o Auditório Araujo Vianna foi, para muitos, talvez uma das únicas fontes de cultura e diversão, já que, na época, a população da cidade era bem menor e as oportunidade de lazer cultural eram menos diversificadas.
A idéia inicial da construção de um auditório na capital gaúcha partiu da sugestão do médico e músico Pereira da Silva, dada ao intendente de Porto Alegre na época, Otávio Rocha. O médico, após ter viajado pela Europa, trouxe da Alemanha a fotografia de um auditório aberto, com concha acústica, existente naquele país, o qual serviu de modelo para as edificações do Auditório Araujo Vianna.
Os porto-alegrenses que já freqüentavam a Praça da Matriz, no centro da capital, passaram a procurá-la ainda mais, pois o auditório ficou sendo, por excelência, o palco das apresentações da Banda Municipal de Porto Alegre. As retretas eram saboreadas pela população todas as quartas-feiras e aos domingos. No inverno, pelo meio da tarde e, no verão, ao anoitecer.
No dia 13 de outubro de 1960, foi lançada a pedra fundamental do novo Auditório Araujo Vianna, concluído definitivamente e entregue à população, em grande estilo, ao som da 1812 de Tchaikowski, em 12 de março de 1964.
As novas instalações, situadas no coração do Parque Farroupilha, contavam, desde o início, com capacidade para acomodar até 4.500 pessoas, um concha acústica de 22 metros de boca, 12 de profundidade e oito de altura, além de um poço de orquestra para 70 músicos, salas para administração e ensaios.
O ano e o mês em que o novo Auditório Araujo Vianna foi inaugurado, entrou para a história nacional também como uma data definitivamente trágica, e nada comemorativa: o golpe militar. Através de um fato ocorrido nos primeiros meses de vida do Auditório, já era possível projetar o que ainda estava por vir. Tudo aconteceu quando os militares chegaram a uma estranha e fantasiosa conclusão: o Auditório Araujo Vianna, visto de cima, teria o formato de uma foice e um martelo, símbolo do comunismo. A acusação foi direcionada ao professor Carlos Fayet, autor do projeto arquitetônico.*| A partir de 1970, o Auditório caracterizou-se como um espaço dedicado à música popular brasileira, sediando apresentações de grande nomes como Roberto Carlos, Elis Regina e Os Mutantes de Rita Lee. De dezembro de 1985 a outubro de 1986, chegou a ficar desativado por questões financeiras, fato contornado através de uma campanha junto à comunidade, com um show produzido pela Rádio Ipanema FM, a fim de levantar fundos. Desse episódio em diante, o rock gaúcho ali abancou-se e fez do Auditório Araujo Vianna um importante veículo de divulgação de seus insuperáveis Megawatts de potência.
Além de shows, o Araujo, como é mais carinhosamente conhecido pelo público, abrigou inúmeras assembléias sindicais. Tanto bancários, como professores ou municipários, entre outras categorias, já se valeram do local para os incontáveis e memoráveis momentos políticos de suas histórias. A atual diretora do Auditório Araujo Vianna, Aline Gama Peroni, diz que, com a abertura do espaço Radamés Gnatalli, em 1992, o Araujo (atualmente coberto) vem proporcionando também work-shops e recitais com músicos, tanto locais, como de renome internacional. "A idéia central é trazer sempre mais pessoas para dentro do Auditório, afinal é para isso que ele existe", esclarece.

* Fonte: ADUFRGS, Universidade e repressão - Os expurgos na UFRGS. Porto Alegre, L&PM, 1979.

JOSÉ DE ARAUJO VIANNA* (10/02/1871 - 02/11/1916)

De uma alinhamento cronológico dos compositores rio-grandenses, Araujo Vianna destaca-se como sendo o primeiro reconhecido fora das fronteiras do Estado. Nasceu em Porto Alegre em uma família de músicos. Criado sob o signo da ópera e do canto moldados por italianos, franceses e alemães, com 22 anos de idade embarca para a Itália, onde fica por dois anos em Milão e, em seguida, viaja para Paris, na França. Dessas duas cidades tira suas maiores influências musicais em gêneros e estilos. Com uma obra não muito extensa, comum aos compositores da época, até a Segunda Guerra Mundial, Araujo Vianna foi um dos nomes mais famosos do Rio Grande do Sul, embora pouco executado e escutado. Por conta disso, alguns o chamavam de "o grande salão vazio"; falava-se muito a seu respeito e era pouco escutado. Aos 37 anos percebe os primeiros sintomas de uma doença desconhecida na época, que o iria vitimar oito anos depois, em 2 de novembro de 1916. *Fonte: Auditório Araujo Vianna - 30 anos/Elizabete Tomasi e Simone Graciela Derosso/Sec. Mun. da Cultura de Porto Alegre - Unidade Editorial, 1979.




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