Um comércio de novos tempos Cedendo espaço para a população indígena e para a economia popular solidária, o Mercado Bom Fim entra no século 21 de cara nova e totalmente reestruturado.
Foi na gestão do intendente Alberto Bins, ao final do ano de 1928, que surgiu em Porto Alegre uma nova alternativa comercial.
Localizado, na época, em área onde hoje funciona o Hospital de Pronto Socorro, o Mercado Bom Fim possía 49 bancas das mais variadas atividades.
Em 1938, passou a funcionar na Osvaldo Aranha, junto à Redenção, onde está até hoje.
Em razão da deterioração do prédio, em 1996, o Mercado Bom Fim foi interditado pela Secretaria Municipal de Produção, Indústria e Comércio - SMIC, e pela Secretaria Municipal de Obras e Viação - SMOV.
A alegação era a de riscos de desabamento e incêndio.
Os proprietários dos 14 estabelecimentos existente no local tiveram de abandonar seus postos para, quatro anos depois, retornarem às suas atividades, na companhia de 11 novos permissionários.
Inaugurado em 26 de dezembro de 2000, o novo Mercado Bom Fim conta com um área de 670 m2, distribuídos em 24 lojas com atividades diversas.
Do total dos R$ 886 mil empregados na reforma, R$ 300 mil foram repassados pela Petrobrás, a qual recebeu como bônus a concessão, por 20 anos,
de uma área dentro do Mercado para a instalação de uma de suas inúmeras lojas de conveniência espalhadas pelo país, a BR Mania.
Dentro do esquema de reestruturação do Mercado, os bares foram retirados da parte frontal, na esquina das avenidas Oswaldo Aranha com José Bonifácio, e colocados nos fundos, de frente para o Parque Farroupilha ou, simplesmente, Redenção.
O fato não agradou a todos, especialmente ao proprietário do freqüentadíssimo Bar e Lancheria Luar, Antenor Guerra.
"Do ponto de vista estético, ficou excelente, mas comercialmente piorou muito.
O movimento caiu pelo menos 50% nos dias de semana", comenta Antenor que diz ter retomado as negociações com a SMIC, a fim de buscar alternativas para minimizar o problema.
Dentre os novos permissionários, destacam-se a loja de produtos da comunidade indígena gaúcha e a loja de economia popular solidária, a Etiqueta Popular.
A primeira, chamada de Loja Indígena do Sul (única no país) comercializa produtos confecccionados por famílias oriundas de diversos bairros da capital, como a Vila Safira, a Vila Planalto e a Reserva Indígena do Cantagalo.
A loja 22 do Mercado Bom Fim é gerenciada por uma comissão de 14 índios provenientes dos povos Kaingang e Mbyá Guaranis.
Entre outas coisas, é possível encontrar na Loja Indígerna do Sul pulseiras e tiaras feitas de casca de cipó, colares de bambu e animais esculpidos em madeira.
Já a denominada Etiqueta Popular comercializa produtos provenientes dos projetos de incubação da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
Os artigos à venda são produzidos por cooperativas da Incubadora Popular da Zona Norte e por outros 26 grupos orientados pelo Projeto de Ações Coletivas da SEP/SMIC.
O empreendimento tem também o acompanhamento do Fórum de Economia Popular.
O Mercado Bom Fim, que funciona de terças a domingos, em horários diferenciados entre bares e outros estabelecimentos, conta com, além das lojas citadas, serviços de alimentação, floriculturas, tabacaria, delicatessem, serviço de revelação e ampliação fotográfica, pet shop, entre outros.
O responsável pela administração do local junto à SMIC, Renê Machado de Souza, aponta como proposta para um futuro próximo, uma melhor sinalização do Mercado em parceria com a Empresa Pública de Transportes e Circulação - EPTC.
"A reformulação do Mercado Bom Fim faz parte de toda uma proposta que essa administração municipal tem de valorização dos patrimônios públicos", explica.