Redenção pode ter área para cães Setor pode por fim a conflito entre freqüentadores do parque.
"A população de cães de guarda tem aumentado, e isso gera conflito entre donos de cães e freqüentadores do parque.
A situação está à beira da explosão e precisamos encontrar uma solução."
Clóvis Breda, administrador do Parque Farroupilha
"A criação de um canódromo não resolve o problema. Não deve ser permitido tirar os cães de guarda da guia, porque haveria violência entre eles próprios.
Além disso, um cachorro doente pode contaminar outros."
Oscar Rodrigues Cardoso, presidente do Kennel Clube.
"Um local adequado vai trazer maior segurança para quem utiliza o parque.
O confinamento é que pode se tornar uma polêmica."
João Carlos Silveira, membro do Conselho de Usuários do Parque Farroupilha.
Técnicos da prefeitura da Capital estudam uma proposta inusitada: uma área de recreação para cães cercada dentro do Parque Farroupilha.
O canódromo, como vem sendo chamado, foi idealizado para reduzir o conflito entre proprietários dos animais e freqüentadores da Redenção.
Um abaixo-assinado dirigido há cerca de dois anos à Secretaria Muncicipal de Meio Ambiente (Smam) já reivindicava a criação da área hoje em debate.
No sábado, um reunião entre representantes da Smam, da direção da Redenção, de defensores do canódromo e de associações de moradores do entorno e de freqüentadores do parque servirá para discussão do projeto.
- A situação de conflito entre frequëntadores está à beira da explosão. Temos de saber se a população concorda com a idéia da área de recreio - diz Clovis Breda, administrador do Parque Farroupilha.
Não há entendimento quanto ao espaço necessário para comportar os cães que freqüentam o parque, mas pelo menos dois canódromos seriam necessários.
Para Leyla Rebêlo, presidente da Federação Cinológica do Rio Grande do Sul, áreas de recreação distintas para cães pequenos e médios ou grandes são essenciais para o sucesso do projeto:
- Mesmo com a área, cães grandes e médios terão de usar a guia sempre. Os pequenos poderão ficar soltos - recomenda.
Concentração de animais pode disseminar doenças
Anterior à construção da área, contudo, o cadastramento dos animais pelo poder público deve ser encarado como prioridade pela Smam.
A recomendação é feita pelo criador e presidente do Kennel Clube do Estado, Oscar Rodrigues Cardoso.
Mesmo favorável à iniciativa, Cardoso aponta os riscos de contaminação por doenças capazes de dizimar a população canina que use o canódromo.
Entre elas, está a leptospirose, contagiosa também entre seres humanos.
- Só com o cadastrasmento de cães, com a instalação de microchips e a exigência de carteiras de vacinação por parte dos administradores do canódromo poderemos ter segurança - alerta.
Caso aprovado pela Smam, o projeto terá ainda de ser avaliado por uma comissão de especialistas do Conselho de Patrimônio Histórico Municipal (Compahc), em razão do tombamento do Parque Farroupilha como patrimônio municipal.
Na Argentina e em países europeus, é comum a existência de canódromos, experiências que poderão servir como exemplo no modelo adotado em Porto Alegre.
Nesses parques, os proprietários de cães são também responsáveis pela limpeza e pela conservação das áreas de recreação.